domingo, 28 de fevereiro de 2010

Doce desEncontro

Foto: Everaldo Ygor - Aiuruoca

Doce desEncontro
Tentar escrever poemas
Tentar os outros – outras
Em relevos distantes, nas estradas
Montanhas
Praias desertas

No engano
Onde o rio encontra o mar
Escrevo acordes que não acordam
Sem abraços traços
Na inércia que o esquecimento trás
Sem consolar
Meu verso atravesso – travesso crespuscular
Narra o sonho e o real distantes
Não enche de paz
O coração vazio de sangue – instante - ardil
Que a chuva não trás

Amanhã virá - ao som da alfaia
Com ares de profundo prelúdio
Semeando vazios no mundo
Perdido, perdido sempre...

Despeço de longe
Vertendo horizontes
Nos lentos caminhos
Da vez – sozinho

No aceno da brisa amena
São falas do exílio
Desencanto circular em flor
Do aceno que não fiz

Extintas camadas – profundas
Extinguem ideais – não faço morada
Ilusão do caminho em mim
Desfaz esperanças em opostas jornadas
Para o começo
Do fim...

Everaldo Ygor - Fevereiro - 2010.

6 comentários:

Tania Montandon disse...

Nada perde para os melhores poetas que já li. Excelente no conteúdo, no trabalho do ritmo, na harmonia das palavras e no deleite final, pra nosso júbilo, obrigada autor!
beijo

*ops, perde sim, no reconhecimento e nosalário,rs

Vírgula Antenada disse...

Eu andava com muitas saudades daqui. Seus poemas continuam me deixando sem ar,rs. Não sei porque, esse me deixou melancólica...

Livro, mudei o endereço do blog, se puder atualizar... Beijo.

www.compostodecarbono.blogspot.com

seuvicio disse...

Daí morre? Acaba em morte?

Tania Montandon disse...

E no vazio preenchido pelo belo ritmo da verve poética doce (re)encontrando pela arte o encontro, (des)esvaziamento mágico do ser só, generosamente oferecendo luz a sentimentos antes não nomeados que tantos sentem e, lendo-o, tiram do sufoco e da sensação de solidão. O esforço do escritor que liberta o leitor do que antes faltava nome...

beijos, achei fantástica essa poesia!

Alex Martins disse...

gostei muito desse poema, e do blog como um todo, cara parabéns, eu sou poeta tb e gosto de ler poesia bem feita como a sua.

Anônimo disse...

Louvavel 'des'encontro!!!
Eis aqui um surpreendente "novo cais"...
Voltarei!