terça-feira, 27 de maio de 2008

LIBERDADE CONCRETA

ALPAZAL
TARPAZTAR
TÁRIOPAZTÁRIO
ALISMOPAZALISMO
TINAGEMPAZTINAGEM
LIBERDADEPAZLIBERDADE
PAZ
LIBERDADEPAZLIBERDADE
TINAGEMPAZTINAGEM
ALISMOPAZALISMO
TÁRIOPAZTÁRIO
TARPAZTAR
ALPAZAL
AQUIPAZJAZZ
O
PASSADO
O
FUTURO
PAZ
Do Livro
Estação Liberdade (Da Existência do Ser)
1992 - de Everaldo Ygor
Poesia Concreta

terça-feira, 20 de maio de 2008

Zélia Gattai, Jorge Amado & Borboletas, Lembranças e Homenagens...

Nesse mundo
Em outros – talvez...
Existam borboletas
E também
Existam gaiolas
E nelas
Nas gaiolas abertas,
Alguns pássaros vêm saciar a sede - a fome
Alguns apenas por alimento, outros por linhas e cores.
Outros, ainda
Com asas fraturadas
Buscam apenas
Palavras & Versos - o alimento.
São Gaiolas abertas, fechadas, semi-abertas, serradas...
São apenas os pensamentos...
E as Borboletas, antes casulos.
Com suas cores e desenhos mágicos
Vivem rápido...
Como poemas breves - efêmeros
Borboletas vivem dois dias,
Duas semanas,
Seis meses e até um ano...
Eu vivo poetando...
Será que Jorge Amado e Zélia Gattai viveram muito?
Foto: Everaldo Ygor
19 e 20 de Maio.

terça-feira, 13 de maio de 2008

"Versículos Hibernus"

Versículos Hibernus
I
As luzes são recobertas por cinzas
Elas ocultam a verdade
De que o Poeta está fora das convenções – Um Outsider
Encobriu espaços de solitárias poesias & caminhadas...
Soprando como o demônio *Urizen - libertando gélidos monstros...
Gélidos ventos – frias letras e linhas
Anteciparam estações de Outono Inverno - É Deméter sentindo saudades...
II
Surpresas são hordas de toxinas
Seres ameaçados pelas verdades bucólicas
Estiagens de Outonos
Traindo imigrações - migrações
Áreas quentes anteriores
Distantes demais
Tolheram o vôo
É uma nevasca fascinante, estarrecedora
Sem fim... Vasta, terrível.
III
Era a vez
Era uma vez...
De condenações na superfícieMorte talvez...
Na Natureza Selvagem
Ventos frígidos adjetivados
Desferidos sobre eles – Desfeitos pelo vento
Pássaros da morte são eles
Já na forma de inanição
Sem asas
Sem comer
São apenas
solitárias aves...
IV
Foi quando
Milhares saíram de campos noturnos, interiores soturnos
No apelo terrestre
Surreal entre homens e animais - seres iguais
Juntando asas, aves, por todos os campos, cantos cerrados
Enviando pensamentos e corpos
Para regiões ensolaradas
e outras pragas mais...

V
Que exemplo os seres que voaram deixaram...

Um de Amor

Translúcidas mãos e asas – escritos tortos.

Longe da bondade

São melodias ao Sol – Melancolias ao Blues

Aves e Seres

Condenados

Ao regresso

Do Amor

Para mundos de pássaros interiores...

Maio 2008.
* Urizen – O Primeiro Livro de Urizen- William Blake
Foto: Everaldo Ygor P&B envelhecida.
Ao som de Black Sabbath - Planet Caravan

terça-feira, 6 de maio de 2008

Bailando em Outonos


"Festival Andanças 2008"

de 4 a 10 de Agosto de 2008 na aldeia de Carvalhais em S. Pedro do Sul.

Portugal - União Europeia.

Às vezes o assim é assim
Nas manhãs dos dias
Sou também esse asfalto - esburacado Lunar
Sob minha cabeça se abre

Esse chão frio
Sobre & Sob meus pés racha - canal mucoso se estende
E lá longe, bem longe...
Não sou aquele pássaro
Nem os que vem do Mar
Não...
Talvez só as asas - casas
Nem o barco que navega, nem as velas, nem o vento
Sem o leme, sem destino, sem rumo
Mergulho, fecho as asas que não tenho
Brancas e Azuis

Silfos & Ninfas no Ar

Era como queria que fossem
A queda é real, longa, sem paradas pesarosas - rosas
Não desejo estar lá...
Tão longe das linhas
O machucado fez antes sangrar palmas aflitas
Coagula a mente, o sangue – cores mórbidas de funeral astral
Outro deserto de lamentos - Outras Andanças
Um pântano - Suga
Alma minha úmida de solidão
Perdida em pastagens fora de sintonia
De
Flores, mares e chuvas...

Ondinas na água

Vendo o Vento.

Ao som, ao olhar na dança do coração.
No Frio intenso de Outono.
Everaldo Ygor
4:20 da manhã de 30.04.2008

&

No dia seguinte

É tão distante

Como chegar em uma estrela

Na certeza de não encontrar a Paz

Ou tocar - todas tão distantes...

Deixa de Ser luz suave

Vou, então - ausente

Caminhar escritas em noites felizes

Com

As mãos

Que

Não tenho mais...

Vou bailar - Ao som de Ayub Ogada

Vou somniare

Madrugada de 03.05.2008

Everaldo Ygor

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Virada Cultural, Desviradas & Consumo...

A saga começa na sexta dia 25 de abril a tarde e foi até dia 26 as 23h... Para consumir cultura é preciso ter pernas ou não, disposição talvez - para encontrar uma atividade gratuita na gigante e burocrática São Paulo... No SESC Pompéia, na área de convivência eu e Marlene apreciamos a exposição Vida Louca, Vida Intensa – Uma viagem pela contracultura que vai até 22 de junho de 2008 – Literatura – Noites Sujas: Com o grupo de Sarau e Intervenções Nuvem Cigana, após um fabuloso Sarau uma intervenção antropofágica de Dança com o Grupo Cia. Nova Dança 4 no espaço Punk. Essa exposição é bem curiosa, percorre o período beatnik, o psicodelismo e o punk com imagens de 1965 à segunda metade de 1970, com debates sobre contracultura, tropicália e multiculturalismo. Os filmes dessa mostra são “alucinados” Mistérios e Paixões (Naked Lunch) de David Cronenberg. Medo e Delírio(Fear and Loathing in Las Vegas) de Terry Gilliam. Scens from the life of Andy Warhol de Jonas Meka. Vinyl de Andy Warhol. A Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky. Sem Destino (Easy Rider) de Dennis Hopper. The Cut-Ups de Willian Burroughs e Bryon Gysin. Poeta do Submundo (William S. Burroughs: Commissioner of Sewers) de Klaus Maeck. Kerouac: O Rei dos Beats (Kerouac: The Movie) de John ANtonelli. Viagem ao Mundo da Alucinação (The Trip) de Roger Corman. Bom, esse é apenas um recorte, existem outros filmes e atividades que devem ser consultados na Programação do SESC Pompéia-SP... Passamos então para as desviradas culturais, no Centro e nas Cercanias de São Paulo, que por incrível que pareça foi muito melhor que do ano passado, enquanto toda a massa corria pelo centro em movimento frenético atrás das “diversas culturas” nos bastidores, ali nos andares superiores do Olido e em lugares nem tanto ocultos, o Sr. Kassab, nosso Prefeito do DEM antigo PFL comemorava sua aliança com o PMDB do Sr. Quércia e lógico o sucesso da Virada Cultural, e de sua campanha... Segue o relato de um “pequeno” recorte da Virada Cultural 2008. De início fizemos o reconhecimento da corrida cultural do “destruído” Centro, saímos do metrô na Estação República ouvindo os ecos do Grupo Terço no Palco do Rock – caminhamos mais um pouco e aportamos no Palco São João ao som de Cesária Évora... LINDO! Primeira parada para uma cerveja em um pequeno Bar na São João, ao som de Cabo Verde, me lembro que os cabelos do Mar estavam belos, cor de ouro, naquele momento, a luz amarela, a fumaça de cigarros paraguaios, a cerveja gelada, um telão ao lado, fizeram mágica essa andança, chegança talvez... Encontrando pessoas, amigos, vultos, auto-econtrando... Mais alguns giros e o lugar agora é o SESC 24 de Maio, com uma ótima exposição: Nó na Língua – Usos e desusos da língua portuguesa. Lá distribuíram um Livro excepcional com um recorte da história da Língua Portuguesa, ótimo material didático para aulas e afins... Instalações interativas e vivências em nossa Língua, e também na Língua Boca Beijo! Beijei e pronto! Ali mesmo um surreal palco para dança, na marquise, luzes, corpos - som & sombra, tudo certo! Caminhamos em ruas paralelas, Teatro Municipal, animações e filmes em telões espalhados no que parecia Ser uma confusa multidão solitária – filas, luzes alumiando fachadas destruídas, faces cansadas... O jeito é aportar no Lado B da cidade, Canja Rock Blues nosso verdadeiro destino. Johnny Boy, Mário Manga, Celso Pixinga, Hugo Hori, entre outros, Progressivo, Blues, Jazz, Fusion e nós... Alí ficamos, dançamos, agitamos e flutuamos em fumaças densas demais... Por fim andamos. Ouvindo rastros de outras atividades, apreciamos novamente a intervenção na “sacada” na direção do Anhangabaú o som do Lado A, Roda de Improviso – Instrumental Brasileiro com Ulisses Rocha, Bocato, Renato Borghetti, Proveta entre outros... Atravessamos e observamos o velho Correio iluminado, atraídos como mariposas, vamos para a Luz do Palco da Dança no Vale, ali ficamos imóveis, incautos, apreciando os movimentos, os corpos, o som, nossos movimentos... Do outro lado o Teatro, o Circo, palhaços – Pia Fraus com seus fabulosos bonecos e máscaras... Um curto momento, movimento que levou para as infâncias perdidas... Após horas de atividades e consumos, hora do lanche, Largo do Paissandú em frente ao Palco da Capoeira, um Churrasco Grego, isso mesmo aquele que fica girando indefinidamente ao relento, com aparência estranha, mas saboroso, com molho especial e tudo +, meia dúzia de sucos grátis com sabor indecifrável, afinal ninguém é de ferro... Andança final em direção ao Metrô São Bento, rápida observação no Acrobático Fratelli, pernas cansadas, mente entorpecida, despedida - beijo rápido e abraço longo de Urso - tchau até mais...
























"O brejo vibra que nem caixa de guerra. Os sapos estão danados. (...) A saparia toda de Minas coaxa no brejo humilde. Hoje tem festa no brejo!"
Carlos Drummond de Andrade
Fotos: Everaldo Ygor & Marlene I. Kuhnen