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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

terça-feira, 15 de junho de 2010

Inquietude

Fonte: Google

A inquietude é assinatura das linhas, pulso de vida, pulso das letras todas. Move-se por campos interiores, definitivamente fora do cotidiano, lentamente, mergulha em regiões frias, desoladas de ordem. E o olhar é companheiro, alma sobrevivente em tamanha caminhada, circular e infinita em seu fim.
Tem ecos nas vísceras, no coração, mas também tem raízes de uma árvore gigante, invertida em sua origem. A solidão forja novas velhas criações, fotos e poesias vazias em sua plenitude, feridas no centro nervoso, individuais em sua arte, em seu momento sutil e breve – efêmero arrepio irrigado pelo frio intenso.
O mundo vai consumindo seu tóxico predileto, vai socializando a fumaça, a radiação e todo o tipo de lixo que não se pode reciclar, mas os resquícios da escrita, da ilusão adjetiva ainda estão lá. Em uma guerra de vários fronts, guerra sem vencedor, sem noção, sem o sem...
Céticos inquietos, povoam os espaços, e até as flexões diversas, semeiam a discórdia do eu em um envelhecimento sem sentido, cruel, senil de crescimento e jovem em sua plena solidão. Carentes do verbo e do vento, depurando a inércia dos confins de ti mesmo... Corroendo os mesmos caminhos antes percorridos - a vitalidade míngua, a vaidade reina, e a verdade anacrônica em sua essência pátria deixa para trás a velha inquietude dos dias.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Homenagem Póstuma"

Foto: Seu João - Autor Desconhecido
1938 - 2009
*
Seu João - era assim que conhecíamos o Pai do Celsão, esposo da Dona Maria - justamente o mês de Fevereiro enterrou o contador de histórias, era assim que víamos o falante Seu João... Essa crônica foi feita e desfeita várias vezes, tomou corpo na quaresma dos dias de Março... E finalmente publicada em Abril, depois do misterioso desaparecimento de sua foto que ressurgiu no domingo de páscoa dentro de um CD de Blues.
No dia em que plantamos o Peixe Grande, um dos presentes me disse que era difícil esquecer suas histórias, que ao deitar sempre vinham à tona, ilustradas, com os ecos da voz do Seu João. Isso mesmo, não enterramos, plantamos sim a semente do contador de histórias, para brotar mais tarde a fabulosa árvore dos pensamentos... Era um plantador de árvores, estão lá na Vila Sabrina, gigantes nas cercanias onde andou, plantou, contou – existiu, era um gigante. E lá em seu quintal rodeados por árvores guardiãs fazíamos nosso sarau, a Festa da Árvore.
Foi um guerreiro, um anfitrião, venceu várias vezes o seu marca-passo que teimava em falhar, venceu a velhice com suas narrativas e resolveu passar para outro plano assistindo TV junto com a sua família... Um dia antes, a Naomi, a cachorra da família se foi, antecipando e já fazendo mais uma história para o Peixe Grande, um de seus últimos repertórios nesse mundo.
De suas histórias, de jagunços, tiroteios, assombrações, festas que resolveram acabar e acontecimentos fantásticos nas estradas Brasil adentro, ficam encravadas nas mentes de quem o conheceu, e agora vamos multiplicar suas falas lançando os ecos de suas histórias e falas em todas as cercanias possíveis e impossíveis.
O filme Peixe Grande, de Tim Burton era a sua biografia, era personagem e contador, Seu João era uma bela fábula contada em voz mansa com tom interiorano, narrativas floreadas e vida simples como deve Ser... E a sua foto em semelhança com Kaspar Hauser e seu enigma, segurando a Santa com seu olhar penetrante. E o par de calçados, lançado nos fios de alta tensão, estão lá, em frente a sua morada, a nova, a velha, só os verdadeiros contadores é que sabem seu significado, enfim não precisava escrever nada, tinha o dom das palavras, da oralidade e isso já basta... Visto sua foto culminante - ai em cima, ai no alto – bem no alto... E como dita a tradição das antigas - bebemos Seu João no mesmo dia, na mesma hora. Lá estávamos todos nós, a sua volta, sem o rio em nossa frente, com a família, amigos e ouvintes incautos do Seu João, a terra caindo sobre a madeira e nós sobre a terra caminhamos mais uma vez...
Diz a lenda, Africana - que nas profundezas de todo rio mora um Peixe Grande. Cercado sempre de peixinhos menores e invisíveis o Peixe Grande é o guardião do Rio, enquanto ele estiver presente nada de ruim pode acontecer com o Rio ou com sua fauna e flora.

Adeus, até mais Seu João...
*
Everaldo Ygor - Quaresma 2009.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

terça-feira, 22 de julho de 2008

Da Arte de Escrever Cartas & Sonhar...

As cartas são mágicas, algumas esquecidas - aquecidas, outras perdidas no Tempo, quando remexo cartas antigas dos meus pais, encontro um recorte da história dos homens, da escrita, do Amor, da saudade, da surreal Arte de Escrever Bem... Amareladas com letras magníficas, papel pautado, cheiro envelhecido, cheias de graça & contornos que ninguém mais faz. Uma aula de caligrafia, um capricho só... Arte pessoal da relação da folha em tom cândido com as idéias em formação, com a emoção. E os selos antigos/novos, cada um com sua data de comemoração, “olho de Boi” e outros tantos, pequeninas artes adesivas que marcam ao olhar, basta um circuito na Praça da República em São Paulo, no Domingo, para ficar imerso no mundo dos Colecionadores de Selos... Os envelopes, grandes, médios e pequenos, timbrados, internacionais, coloridos, uma viagem poética aos sentidos todos. As cartas das crianças e adolescentes, cheias de cores, adesivos, papel colorido, papel especial de carta, com personagens diversos, papel reciclado, mimos que poucos hoje em dia ousam fazer, ousam vivenciar, quando me vejo aqui, em frente ao computador, na gélida tela dos dias vou dando bordoada no teclado, o cálice da escrita jorra em minha face, a saudade de preencher folhas alvas, de errar, corrigir ou recomeçar uma nova carta, amassar o papel, sentir o lápis ou caneta fluindo no espaço. Não importa, ao acabar essa missiva vou escrever mais uma carta, nem se importando com a paralisação dos correios... Os cartões cada um mais formoso que o outro, sempre preferi fazer os meus... Sim, colagens - aquela arte já esquecida método meio hippie, até já fiz papel reciclado e enviei, me lembro agora quando jovem, fui até a casa de uma pretendente minha e coloquei uma carta cheia de versos de Vinícius de Moraes na caixa de correio dela, que saudade desses tempos que teimam em voltar em nosso adágio... Algumas cartas comprometedoras até, outras nem se fala… E outras tantas nunca enviamos, ficam guardadas em gavetas ou caixas empoeiradas... Vale lembrar o grande mestre Fernando Pessoa, na Poesia de Álvaro de Campos:
...Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas...
Um dia desses enviei uma porção de incensos para uma pessoa valiosa, de todos os tamanhos e sabores, foi o presente/carta mais “perfumado” que já enviei, junto um cartão artesanal, com papel reciclado e colagens, com um poema de minha autoria, enfim cumpri minha missão... Hoje, tudo frio, distante, gelado demais, emails, Blogs, celular ou telefone fixo, ao vivo quase nada, poucos abraços & beijos, e cartas escritas do próprio punho menos ainda, sem dúvida a tecnologia informa, mas pode distanciar também... Existem alguns filmes e livros que valem a pena serem apreciados, como o Surreal “P.S.: eu te amo” de Richard Lagravanese, onde cartas póstumas emocionam e ilustram o roteiro... E “A Carta Anônima” de Peter Chan, com a ótima trilha sonora de Roy Orbison, onde o roteiro gira em torno de uma carta de Amor anônima... Para conhecer a Arte do Calígrafo, recomendo “O Livro de Cabeceira” de Peter Greenaway uma viagem na sedução e caligrafia oriental, o cheiro de papel branco é como o odor da pele de um novo amante... No Brasil temos o já conhecido “Central do Brasil” de Walter Salles... E os Livros, não podem faltar, verdadeiros clássicos como “Cartas a um Jovem Poeta” de Rainer Maria Rilke, e As Mais Belas Cartas de Amor de Kahlil Gibran, entre tantos no Brasil, ressalto a bela obra “Correspondências” de Clarice Lispector, Cartas de Machado de Assis e Euclides da Cunha e De Poeta para Poeta – “Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond”. Existem outros, muitos outros que vou deixar a sua escolha meu caro leitor... As cartas carregam o coração. Por isso, mãos à obra - escreva uma carta já!
Everaldo Ygor – Julho 2008.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

“Antigas Verves”

“Antigas Verves”

“Headpiece filled with straw”
The Holow Men
T.S. Eliot
“Das antigas”- essa é a palavra, a mim secou-me a boca, o fumo forte de corda negro de Arapiraca, o cachimbo artesanal de bambu, o chapéu de palha, os Seres hipnotizados pela velha tecnologia da foto P&B... A fumaça e seus aditivos naturais lá dentro da cabeça, no Akasha, fazem ativar lembranças das Elegias de Duíno de Rainer Maria Rilke. Escrevendo esse epitáfio, essas linhas ao som de Fela Kuti, a boca seca novamente, observo a foto calado, e ouço o vento frio anunciar a garoa na tarde bucólica dos dias de São João. São lembranças secas da vida, de fogueiras, do passado recente & antigo como deve Ser, mas novo como a aurora em sua face branca pálida rugosa e lisa... Caneca na mão, da para sentir o aroma forte do café fresco da fazenda... Óculos, sinal de miopia, hipermetropia ou astigmatismo... Espero sem pressa que as palavras encontrem seu lugar, nas flexões, nos sonhos - na beleza surreal das cadeiras de madeira, dos corpos, do chinelo de couro, da face enigmática da ausência das cores... Que os Seres da foto saiam e contem sua história, um poema desejado talvez, um olhar ao fundo da alma, do dia, da noite, que possam enfim saciar a minha sede. O que o corpo demonstra o rosto ai desconhece, observa o horizonte desconhecido que a foto não mostra jamais, mostra o colar de sândalo com cheiro da alma... Os lábios finos dizem algo inaudível aos sentidos cor de sépia.
– As mãos dadas na varanda, nessa jornada ao relento dos dedos cheios de ondas, cheios de anéis, afeição & cheios de água sangue.
O que a face dela entrega?
O que o olhar dele diz?
O que T.S. Eliot fala?
Em que época está situada na inusitada linha do tempo, em 1917 na Revolução Russa ou 1968 na utopia de revoluções inacabadas, perdidas no surreal tempo da cultura Hippie - acho que não... São personagens das Crônicas dos Dias – camponeses dispersos - andarilhos luminosos astrais, informais, até perderam o brilho e na certa foram e são Poetas. Instante volátil & infinito, faz meus olhos e ouvidos sentirem o breve cochicho dela para ele, de súbito desperto do devaneio louco, tomo mais um “tinguá” - e deslizo a mão trêmula sobre o teclado. Ao fundo um girassol - acho graça, cena forasteira, mas que foto estranha e suntuosa... Faces pela metade, corpos pendendo para os lados. E o Senhor do Tempo sempre cumprindo sua tenebrosa missão de envelhecer fotos & Seres, escritos e poemas, preenchendo espaços de saudades que não voltam mais, lento impôs ao meu Ser essa imagem terrena, nem Lua, nem Sol, entardecer em Preto & Branco Envelhecido, dentro e fora de mim, no espectro do descompasso do meu coração, assim encanta. Transcender essa desconexa redação, transformar em Poesia o que já é Poesia, é absurdo do final dos dias, talvez todas essas linhas sejam inúteis, e somente, tão somente a foto, só é - poesia original.
Mas, ao olhar mais uma vez os rostos pensativos, as nuances, a paisagem, as vestes, sombras penetrantes dessa foto canção, o coração fala das dores de Amar, armar pensamentos para viver, da beleza abstrata contida naquele instante, tranqüilidade, cumplicidade, elementos essenciais para o poetar. Sua Verve é inesquecível, motivo de adjetivos diversos - inesgotáveis para descrever os imóveis Seres de Chapéu de Palha... Enfim, podem Ser - Matamoros, da Fantasia da obra de Hilda Hilst – Tu não te moves de ti. Todas as vozes internas de homens, mulheres e fotos... Paro por aqui - depois de tanto tempo, na angústia de escrever símbolos, lutando para que outros parem de lutar, polindo o pó da estrada que impregnou as vestes negras, na emoção humilde que nada sei, senão a infindável arte de adjetivar, caminhando sempre para o encontro inevitável e inesperado com o velho e imortal Tânatos...
Janeiro até Junho de 2008 - revisado muitas, muitas vezes...
Everaldo Ygor

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Virada Cultural, Desviradas & Consumo...

A saga começa na sexta dia 25 de abril a tarde e foi até dia 26 as 23h... Para consumir cultura é preciso ter pernas ou não, disposição talvez - para encontrar uma atividade gratuita na gigante e burocrática São Paulo... No SESC Pompéia, na área de convivência eu e Marlene apreciamos a exposição Vida Louca, Vida Intensa – Uma viagem pela contracultura que vai até 22 de junho de 2008 – Literatura – Noites Sujas: Com o grupo de Sarau e Intervenções Nuvem Cigana, após um fabuloso Sarau uma intervenção antropofágica de Dança com o Grupo Cia. Nova Dança 4 no espaço Punk. Essa exposição é bem curiosa, percorre o período beatnik, o psicodelismo e o punk com imagens de 1965 à segunda metade de 1970, com debates sobre contracultura, tropicália e multiculturalismo. Os filmes dessa mostra são “alucinados” Mistérios e Paixões (Naked Lunch) de David Cronenberg. Medo e Delírio(Fear and Loathing in Las Vegas) de Terry Gilliam. Scens from the life of Andy Warhol de Jonas Meka. Vinyl de Andy Warhol. A Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky. Sem Destino (Easy Rider) de Dennis Hopper. The Cut-Ups de Willian Burroughs e Bryon Gysin. Poeta do Submundo (William S. Burroughs: Commissioner of Sewers) de Klaus Maeck. Kerouac: O Rei dos Beats (Kerouac: The Movie) de John ANtonelli. Viagem ao Mundo da Alucinação (The Trip) de Roger Corman. Bom, esse é apenas um recorte, existem outros filmes e atividades que devem ser consultados na Programação do SESC Pompéia-SP... Passamos então para as desviradas culturais, no Centro e nas Cercanias de São Paulo, que por incrível que pareça foi muito melhor que do ano passado, enquanto toda a massa corria pelo centro em movimento frenético atrás das “diversas culturas” nos bastidores, ali nos andares superiores do Olido e em lugares nem tanto ocultos, o Sr. Kassab, nosso Prefeito do DEM antigo PFL comemorava sua aliança com o PMDB do Sr. Quércia e lógico o sucesso da Virada Cultural, e de sua campanha... Segue o relato de um “pequeno” recorte da Virada Cultural 2008. De início fizemos o reconhecimento da corrida cultural do “destruído” Centro, saímos do metrô na Estação República ouvindo os ecos do Grupo Terço no Palco do Rock – caminhamos mais um pouco e aportamos no Palco São João ao som de Cesária Évora... LINDO! Primeira parada para uma cerveja em um pequeno Bar na São João, ao som de Cabo Verde, me lembro que os cabelos do Mar estavam belos, cor de ouro, naquele momento, a luz amarela, a fumaça de cigarros paraguaios, a cerveja gelada, um telão ao lado, fizeram mágica essa andança, chegança talvez... Encontrando pessoas, amigos, vultos, auto-econtrando... Mais alguns giros e o lugar agora é o SESC 24 de Maio, com uma ótima exposição: Nó na Língua – Usos e desusos da língua portuguesa. Lá distribuíram um Livro excepcional com um recorte da história da Língua Portuguesa, ótimo material didático para aulas e afins... Instalações interativas e vivências em nossa Língua, e também na Língua Boca Beijo! Beijei e pronto! Ali mesmo um surreal palco para dança, na marquise, luzes, corpos - som & sombra, tudo certo! Caminhamos em ruas paralelas, Teatro Municipal, animações e filmes em telões espalhados no que parecia Ser uma confusa multidão solitária – filas, luzes alumiando fachadas destruídas, faces cansadas... O jeito é aportar no Lado B da cidade, Canja Rock Blues nosso verdadeiro destino. Johnny Boy, Mário Manga, Celso Pixinga, Hugo Hori, entre outros, Progressivo, Blues, Jazz, Fusion e nós... Alí ficamos, dançamos, agitamos e flutuamos em fumaças densas demais... Por fim andamos. Ouvindo rastros de outras atividades, apreciamos novamente a intervenção na “sacada” na direção do Anhangabaú o som do Lado A, Roda de Improviso – Instrumental Brasileiro com Ulisses Rocha, Bocato, Renato Borghetti, Proveta entre outros... Atravessamos e observamos o velho Correio iluminado, atraídos como mariposas, vamos para a Luz do Palco da Dança no Vale, ali ficamos imóveis, incautos, apreciando os movimentos, os corpos, o som, nossos movimentos... Do outro lado o Teatro, o Circo, palhaços – Pia Fraus com seus fabulosos bonecos e máscaras... Um curto momento, movimento que levou para as infâncias perdidas... Após horas de atividades e consumos, hora do lanche, Largo do Paissandú em frente ao Palco da Capoeira, um Churrasco Grego, isso mesmo aquele que fica girando indefinidamente ao relento, com aparência estranha, mas saboroso, com molho especial e tudo +, meia dúzia de sucos grátis com sabor indecifrável, afinal ninguém é de ferro... Andança final em direção ao Metrô São Bento, rápida observação no Acrobático Fratelli, pernas cansadas, mente entorpecida, despedida - beijo rápido e abraço longo de Urso - tchau até mais...
























"O brejo vibra que nem caixa de guerra. Os sapos estão danados. (...) A saparia toda de Minas coaxa no brejo humilde. Hoje tem festa no brejo!"
Carlos Drummond de Andrade
Fotos: Everaldo Ygor & Marlene I. Kuhnen

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ANDANÇAS...

Capítulo I

O Bar, O Livro & A Cachaça

O Talentoso Ripley
O encontro foi para ver teatro de Rua na Praça da República, sexta-feira á tarde, Assembléia dos Professores Estaduais, começa a garoa, a peça foi adiada, tempo frio, aportamos em um bar “sujinho” próximo a praça, duas doses de conhaque com limão, novas andanças...
Já em outro ambiente, Eu e Mar, estamos no Espaço Cultural Cine Olido, para ver o Documentário é tudo Verdade, terminamos assistindo - O Talentoso Ripley, de Anthony Minghella - afinal é tudo mentira... Espetáculo surreal, pessoas surreais, antes do início da película, uma briga intensa dentro da sala, seguranças e os dois "personagens" expulsos da sessão, o que mais poderia acontecer? Ao lado a famigerada Galeria do Rock, lotada da comunidade do Rock, concentrando para o espetáculo do Velho Ozzy em São Paulo, e a polícia rondando para averiguar a denúncia de que alguns “emos” foram hostilizados por lá...
Ao rever o filme ficamos extasiados, o Jazz, a fotografia, o ritmo vertiginoso, reencontrando o engenhoso Ripley que sempre esteve escondido em nossos porões...
Ao final, uma parada para uma cerveja, um debate, uma pinga com limão, uma análise regada com álcool e nicotina afetando o córtex pré frontal para o debate intenso que caminha em direção a existência e ao prazer do Ser.

São noites e manhãs - nem sempre o álcool é cruel, faz sentir presenças, espectros astrais...

Molha as palavras, turva a mente, de repente mais um gole,

Um olhar, uma boca, eu sou Dali...

Daquele copo ali.


Capítulo II

A Noite do Livro
Fui chamado de Livro, muito lisonjeiro isso - esse novo/velho apelido em meio ao manto do álcool, a discussão acalorada de passados recentes, de filmes, de Amores, de Poesia, de fotos marcantes nas vidas passadas, viagens & nos adjetivos diários, submersos em afagos e contos... O tempo foi passando e a cheia de aguardente e cerveja aos poucos dominando mentes cansadas, transbordando corações e mentes afins...

Enfim acho que gostei de Ser chamado de Livro.


Capítulo III

Primeira Noite & Comidas
De Metrô atravessamos a cidade, vagões lotados, bundas na face, ao chegar poucas palavras, um caldo para aquecer, “Brodo” na madrugada, os sabores, os cheiros, são eles que nos transportam, transbordam de alegria e desejo, viajamos para mundos melhores, belos, sensíveis, beijos longos, incenso e vela, murmúrios e sons, volúpia e prazer até o dia clarear...

Capítulo IV
Quando Nietzsche Chorou
Janis e John & All About Anna
Manhãs são curiosas, misto de ressaca e prazer, alivio e sede, risos e exibições, biografias, fotos e vidas - são assim simples como devem Ser.
Passado, presente – a tarde chega, chega com filme forte - Quando Nietzsche Chorou – O filme mostra o excêntrico encontro entre Nietzsche, Freud e o médico Josef Bauer, promovido pela sedutora Lou Salomé... Em um momento do filme Nietzsche afirma que “nossas vidas continuarão se repetindo infinitamente para todo o sempre, exatamente da mesma maneira como as estamos conduzindo agora”... E não é só isso, é muito mais - é um emaranhado de citações que nos deixam pasmos... O filme é uma viagem ao subconsciente, pois esse encontro hipotético nunca ocorreu, o que ocorre é um encontro dentro das mentes de leitores e espectadores do filme ou do livro, leva a reflexão da solidão, de Amores, da estrada, da família, do intelecto, enfim da vida toda... São nessas telas, nesses debates que existimos.
O tempo passa, fôlego, água, pequenas doses de pinga com Mel, uma soneca, corpo e mente nem tanto revigorados... São eles: Janis e John, de Samuel Benchetrit outra fabulosa história, uma trama que de início parece uma comédia, depois se transforma em uma bela e comovente história de vida, o retorno de John Lennon & Janis Joplin - que também leva a reflexão dos relacionamentos, dos dias, das vivências e experiências, libertação, música e criação... Marie Trintignant, que canta Kozmic Blues no filme é atriz principal e faleceu logo após as filmagens... Ao final o Erótico e hipnótico All About Anna, mais um sobre as relações, sobre o sexo verdadeiro, encontros e desencontros, relações simples com atores intensos... Enfim todos os filmes com uma fotografia bela, trilha sonora marcante, verdadeiros, que nesse momento atingiram os espectadores de forma mágica, interiorizando sentimentos, expondo emoções, fazendo crescer e caminhar por terras distantes... Ao final desse filme, outro encontro dos corpos, agora para sentir juntos, ao mesmo tempo os mais belos e intensos momentos gozosos da existência, ao final um sorriso...


Capítulo V
Lição de Casa ou Resumo de Textos
Resumo dos Textos
Pela manhã, deitada em cama caída, os olhos se abriram, espreguiçou o corpo, leve sorriso em lábios finos, esfregou os peitos em costas peludas. Levantou-se, olhou o dia que ainda parecia noite, e num exato segundo toda a escuridão lhe invadiu; lembrou-se em um susto, que era domingo.
Foi a cozinha, a água para o café, o bolo do dia anterior esperava a ser degustado...
Conversa rápida de despedida, caminhos chuviscados até o ônibus, até o mercado...Compras para a semana.
Os filmes assistidos, que a princípio, parecia uma leve comédia para descontração, mostrou-se superior ao esperado. Reflexões da vida, dos caminhos sem pegadas, um forte blues...uma lágrima de homem e uma estrada retomada.
O segundo agora mais picante, causador de arrepios na pele...O gozo chamando, esfrega, invade delicadamente a mente atenciosa na tela, UFA...Começa a dança, um gargalho espalhado pela casa, dois corpos satisfeitos tomados de energia nirvânica.
Agora é domingo, lá fora a chuva grossa cai...
Marlene Kuhnen 05/04/2008
Capítulo I ao IV, Fotos I, II, III e V- Everaldo Ygor

Capítulo V - Foto IV - Marlene Kuhnen
Ao som de Marie Trintignant Kozmic Blues:

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran

O Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran
Ao sair para uma caminhada matinal pelo bairro, observo crianças fantasiadas indo para a Escola, sim pequenos e graciosos palhacinhos dando paços curtos fazendo momices matinais... Hoje, 27 de Março é o Dia do Circo, Dia do Palhaço, paro e fico apreciando a cena surreal, gostaria de me vestir assim... Caminho mais um pouco, sento em um banco de uma praça e observo calmamente trabalhadores carpindo o mato, o movimento, a voz, o som das enxadas, o cheiro, o calor...
Reporto-me para a estrada, as viagens que marcam a gente, lembro que um dia encontrei um Monjolo, isso mesmo, aquele para bater feijão, milho etc... Coloco então todas as minhas palavras dentro desse Monjolo imaginário e fico ouvindo o som do martelo de madeira, impulsionado pela água, socar, bater e bater, transformando palavras velhas em novas, em pensamentos, em devaneios matutinos...
Apenas o Sol iluminava esse Monjolo, pela janela, pela porta sempre aberta, era feito de barro, pau a pique, ao lado margeava um pequeno fio de água, suficiente para impulsionar a roda de madeira...
Hoje o Monjolo que eu conhecia não existe mais, ele ruiu, só escombros, as intempéries e o descaso humano acabaram por colocá-lo abaixo...
A consciência aos poucos retorna, o Sol já quente ofusca a visão... Saio devagar, observo ao chão um desses bilhetes da Loteria Federal, impresso nele a seguinte mensagem:
- Homenagem aos 125 anos de nascimento do pintor, escritor e poeta Khalil Gibran
Incrível & surreal manhã ensolarada na periferia de São Paulo – O mestre Gibran morreu em 10 de abril de 1931, segue um poema seu:
"Ainda ontem pensava que não era"

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"
Kahlil Gibran
Retorno para a casa vitral, descanso, no final de tarde choveu, escrevo essas linhas tortas e vou publicar em Outras Andanças...Enfim, a caminhada, o sonho, o Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran valeram a pena!
Foto: Monjolo - Marlene Kuhnen
Everaldo Ygor – 27.03.2008
Ao som de Múm:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LICANTROPO

Foto: Nabucodonosor (1795) - William Blake.


Licantropo

Encontrei com ele em minhas andanças nas variantes rítmicas de Fevereiro... Ao ver a fera, tremi e vibrei estarrecido, deixei cair na vala o livro que empunhava: O Lobo da Estepe, de Herman Hesse...
Monstro de poucas falas e faces, bons grunhidos e salivações. Proximidade nem pensar, abraçar poderia custar a vida. Era assim, taciturno, peludo, olhos vibrantes, cinza, garras na mão. Um exótico e raro exemplar de mamífero da face terra, de profundos interiores mentais.
Poderia Ser aquele monstro mítico ou aquela Besta-Fera das histórias antigas, mas não... Revela-se noite no mês que míngua.
Era real, ou quase isso, Bestial por natureza, com ar angelical, aspecto estranho e curioso de anjo barroco... Que Besta! Meio homem meio animal, meio nada, uma Fera completa - qual parte sobressai no Ser, o Homem ou o Animal?
Salivando e observando tudo em noite de Lua cheia, era pesado demais, deixava marcas por onde andava, por onde arrastava a sinuosa cauda. Deixava um rastro de pêlos por onde passava. Medo impregnando as andanças da Fera transformada. Contradição perene disforme & andante da natureza.
Noites longas para sua monstruosidade, para urros noturnos, longas garras esperando pela próxima vítima, esperando em becos de tocaias urbanas, ruas de pura licantropia, bestialidade em todos os abrigos, pêlos elétricos e ouriçados com cheiro de fungo.
Como escapar do escopo das coisas, dos rastros, das Bestas, de espelhos de sombras...
Fazendo uso indiscriminado da arte do chavão e do clichê Bestial, ao caminhar encontrando espelhos em cacos e faces disformes. Só em retalhos dispersos, observo afetuosamente o reflexo oculto recortado, percebo bem que a Besta-Fera... – O Licantropo Urbano não passa de:
Eu mesmo!
Everaldo Ygor
09 & 10 de Fevereiro 2008.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ungido pelo Santo óleo da Cachaça

Foto: Les Très Riches Heures du duc de Berry Février.

Crônica dos Dias
Nos dias de cada artesão da palavra, uma falange de anjos & demônios zombeteiros passeiam dentro e fora da mente criadora. Na alegria e na tristeza ponho-me a dissertar sobre densos pensamentos, mares de lágrimas e mucosas do mês de Fevereiro. Procurando as nascentes de poesia.
Ungido pelo santo óleo da cachaça vou escrevendo os dias, cada dia sufocado pelo próprio ar, pelo espanto, pela visão lendária. Tomo desse ungüento até o dia clarear, com a esperança insana de bordar palavras em sedas claras no meu santuário sagrado de aniversário.
No auge da embriaguez poética, é possível sonhar em ver vidas e pensamentos através das tuas...
Infinitos horizontes claustrofóbicos, cheios de certezas e dúvidas, é possível ver as cores vibrantes do pensamento, nessa vigília insana eu vou, marcado pelo Arcano 22 do Tarô - O Louco. Errante peregrino vai a passos lentos, pensamento noturno de jardins do céu cada vez mais longínquos. Cambaleante artista artesão da sugestão.
Os matizes são reluzentes, porém não alegres e sim entregues, despojados das folhas em branco, das roupagens frias, emitem ecos de luz no lugar de som.
A vontade é soberana em permanecer dentro do ungüento, impele a vomitar uma seqüência frenética de palavras desconexas. Exorcizando o Arcano 22 em direção ao Mar. Os matizes pegam fogo, versos em chamas com a voz apartada da palavra final. Míope vista que não enxerga o Mar salgado, mas sente a maravilhosa lufada da brisa bendito-maldita. Desperto ao teu redor, redor de versos becos molhados, solares distantes, transpassando os horizontes agora sem ungüentos mágicos, apenas com o Máximo devaneio do doloroso e sepulcral despertar tal qual a insuportável leveza da pena.
Toda essa dissertação desencadeia uma tempestade magnética de pensamentos, ativação mental de ventos da discórdia, relembrando chagas lacrimais. Supremo é o Ser Louco completo em sua plenitude e saber, sem rimar com a vida toda, sem ritmar, sem fronteiras & sem vergonha.
A voz vaga passeia pela via, ascendendo velas, incensos e pagando promessas pelo despertar, pelo paraíso infernal de venturas e suspiros. Que eloqüência errante e sublime essa de dissertar devaneios tão sem sentido, são espelhos oblíquos, iluminados nos dias de Fevereiro.
Everaldo Ygor
03.02.2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Invernada Verão

Crônica - Invernada Verão
O verão virou inverno, deixou de acolher as vozes de ternura e poesia. Escureceu deixando de projetar as cores inquietas.
São poucas as nuvens que rasgam...
No silêncio do vento que vem do norte, tento decifrar essa linha tênue e fria que vai até o coração. Sinto que o Sol está lá escondido, fugindo da chuva cinza. Assim a chuva acida não vai arder em chagas reabertas. As palavras íntimas pedem recesso aos olhos comovidos, pois tiveram presença na desesperança da guerra. Os olhos estão secos, sem lágrimas, míopes diante tamanha invernada. Fico sem ansiar pelo anoitecer, muito menos pelo amanhecer, caminho apenas em superfícies mornas sonhando com gestos íntimos de poesia livre.
Ávido é o desejo por um novo coração, nova canção, livre da empunhadura de botas, fuzis e capacetes, espírito novo e purificado, fecundo de novas criações. Para essa estação, minha oferta do dia é um chá de Jasmim, vai acalentar esse inverno, líquido quente que me enternece o chegar, espalha perfume de flores e cores, faz minha voz transpor sombras, olhares, ilhas e fugas.
Sem consciência do que tenho sido, conquistado e imediatamente perdido. A virtude fria de cada manhã faz humilde e trêmulo o Ser que empunha o coração, ás vezes definha, mas mantém o punho cerrado diante o destino dessa invernada. Violento é o tempo que faz dilacerar as próprias palavras, inesgotável fonte temporal, insensível desgasta tudo, versos, Seres e até o inverno rigoroso. Para sair desse frio intenso, só lajeando o ardente Inferno de Dante, lá nem o aço, nem o ferro, nem o coração, nem os dias resistem. Amarga constatação, que recolhe em quimeras frágeis cada olhar. Colhe o soluço frio dos que sofrem. Faces geladas, oprimidas talvez, solitárias gélidas, impedidas de voar. Lírica é a palavra que é caminho, sonho, ternura e vastidão. É poesia!
Na mentira dessa verdade plena, fica o desabafo livre de verão inverno, instante adormecido na invernada que jaz imersa em montanha de gelo ancestral.

Everaldo Ygor
30.01.2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Crônica dos Dias cingido com John Coltrane ouvindo a chuva...

Foto: Everaldo YgorCrônica dos Dias cingido com John Coltrane ouvindo a chuva...
Em Sampa já fazem dias que a chuva não para, parece até Macondo da obra Cem Anos de Solidão do mestre Gabriel Garcia Márquez. Dias para se apreciar o Jazz, MPB antiga, bons Livros, fazer Poesia, fotografar a chuva e a Saudade. Escrevendo, preenchendo espaços brancos, vazios sem linhas sem luzes. Missivista dessa intempérie me tornei colocando olhares e lábios diante a precipitação.
Saio na chuva para sentir as primeiras águas, vão aguar meus pensamentos, minha infância perdida, vai inspirar ou transbordar a mente vazia... Depois espiar calmamente pela janela vitral a névoa, a chuva e pessoas caminhando rápido no asfalto. Algumas transpiram gotas, outras recebem livremente em sua face morna gotas serenas. Lento prelúdio de gestos em flores. Nenhuma revoada de pássaros, nem Sol, completando assim o quadro bucólico dos Dias degustando um bom vinho ao som do fraterno Coltrane.
Essa chuva vai regar novas idéias, lavar vaidades, dar vida ao mundo dos vegetais, encher Rios e Mares, alimentar sonhos... As árvores parecem preguiçosas nas calçadas e praças... Mas, não vai regrar a Poesia. Vou viajar na vastidão dos olhos, na imaginação lírica de constelações de palavras e corpos de caminhos inquietos ao som da chuva.
Fazer uma poesia, sem toda essa melancolia, fazer cigano de mim mesmo, navegar na cheia de pensamentos, criar algo novo/velho sem amarras ou grilhões... No transcorrer desse tempo, de batidas fatídicas do coração. Experimento sabores cítricos de beijos, as cantigas de Amor vão tilintar junto aos pingos da chuva, ora fria, ora quente, mas que bela chuva! A Noite a Lua vai Encher, mas só as Nuvens vão contemplar.
Nesse meu hermetismo clássico vou escrevendo envolto ao eterno jogo lingüístico da adjetivação, do simbolismo, da música, da rima e da métrica - definitivamente sem os dois, das palavras concretas, surreais.
Quero Ser um trovador mambembe de folhas em branco, pálidas tépidas. Procurando o porto da calmaria, próximo das corredeiras, procurando expor sentimentos, encontrando poemas perdidos empoeirados, em porões bem fechados. Difícil Arte de narrar pensamentos sem sabedoria alguma, mas com a Sensibilidade de sutis indolentes gotas de chuva, nas imagens sufocantes do Portishead.
Passam nuvens rápidas - Águas livres vão desaguar.
Quando o Ser e sua folha já rabiscada se molharam, entornaram na alegria efêmera, o espírito foi lavado, Seu pensamento era único, um Sonho de um dia deixar de Ser uma cópia Xerox para se tornar uma Folha de Papel
Original...

Everaldo Ygor
18,19,20 e 21.01.2008

sábado, 27 de outubro de 2007

...Lá se vai mais uma Tertúlia...


Tertúlias são episódios surreais, manifestações egoicas de Seres que ainda teimam em vociferar verdades rimas e mentiras métricas... São momentos únicos, do vórtice da criação poética, da embriaguez eterna. A cada Sarau, momentos diferentes, vidas diferentes, vidas ausentes, anoitecemos. Velas, incenso, Seres, livros, tudo preparado para mais um ritual. Poesia, cânticos, representações, fumaça no ar e pessoas girando ao som da viola mágica... Mais uma festa! - Tocar a harpa da criação a cada Sarau, não é fácil, mas a resistência romântica de alguns faz a engrenagem girar, faz a poesia valer a pena, faz declamar os tímidos, os bêbados, os transeuntes, as almas nem tanto penadas... Sempre renascendo, ele vai... Em palcos, nas praças, nos bares, em todo lugar, ocupando os espaços de direito até o dia clarear. Em breve, mais um evento da discórdia cultural, mais um episódio da saga do Sarau do Elo Incandescente, dos Troupoetas, dos personagens que compõem essa história, dos argonautas do asfalto, das Musas, da poesia das esquinas de nossas vidas. Lá se vai mais um Sarau... Vou aguardar a Lua encher mais uma vez, para transbordar o coração daqueles Poetas que seguram a beleza e o peso da Lua, da Terra e todo o firmamento em suas costas... Poetas andarilhos, pára-raios móveis... Valeu!
Everaldo Ygor – 27.10.2007
Foto: Apanhador de Sonhos - Arte do Cabral - Sarau - Interior do Bar do Marquinhos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

[ ABRAÇO ]

...Nas cercanias, poucos sentiram a nossa falta. Após longos dias etílicos de prosa e movimento veloz. O abraço foi apertado, longo, perpétuo... Silenciosas faces com lágrimas mágicas douradas ao Sol querendo rolar. Debaixo da castanheira no Pomar ladeado de dois balanços antigos... Castanhas espinhentas ao chão. Vento breve seco. Balanço que era balança... Pesaram os nossos corações, o velho deus Osíris recitou o Livro Egípcio dos Mortos mais uma vez. Absorvi o sabor do silêncio de nuvens claras em azul céu, ouvi sua respiração, senti o pranto coração... Dei abraços que anteriormente não pude dar. Gestos, Afeto, Carinho e Perdão. Palavras não ditas, fortes, malas não prontas, pertences perdidos, lugares inexplorados, tudo era um abarcar apertado e profundo... Fusões sensíveis ao tempo, tudo volta e nem sempre tudo se encontra, reencontra no ritmo dueto de abraços, poemas calados, breves...
Everaldo Ygor – 09.09.2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Iracema uma Transa Amazônica

Mais uma solicitação atendida, foi pedido uma indicação ao Outras Andanças de um "Filme Cult"

Segue minha indicação...
Premiações- Em 1975 foi considerado o melhor filme em exibição na Europa. Ganhou entre outros o "Prix George Sadoul" (Paris), o "Adolf Grimme Preiss" (Alemanha), o "Encomio Taormina" (Itália) e o "12º Reencontre Film et Jeunesse" ( Premio Especial - Cannes Melhor Filme 78 - ACCMG). Em 1978, a Associação de Críticos Cinematográficos de Minas Gerais, o elegeu melhor filme do ano, durante uma mostra de filmes proibidos e a última premiação foi de melhor filme, melhor atriz (Edna de Cássia)e melhor coadjuvante (Conceição Senna) no Festival de Brasília em 1980.

Curiosidades- O filme foi liberado sem cortes em 7 de novembro de 1979 por decisão do Divisão da Censura, Sr. José Madeira. Depois de uma discussão, em que se duvidou até da nacionalidade do filme, vem a luz da exibição comercial a primeira obra de um gênero não tão incomum, o documentário - ficção.- Proibido no Brasil desde sua realização, em 1974, foi exibido em diversos países da Europa durante os anos em que esquentou as prateleiras da Censura. - Exibido clandestinamente em 1978 numa mostra de filmes proibidos, em Minas Gerais. - O filme foi lançado em circuito comercial no dia 30 de março de 1981 nos cinemas Caruso, Rio, e Cinema1 em Niterói. - Em 1981com 21 anos, descoberta pelo diretor num programa de auditório a atriz do filme Edna de Cássia é uma lavadeira e vive na mais extrema miséria num cortiço de madeira em Belém, onde luta com dificuldade para criar seu filho de 3 anos de idade. Edna Cereja, esse seu verdadeiro nome vive na vida real a miséria que representou no cinema. Para ela, o sonho de ser atriz acabou quando terminou o filme. - (...) Infelizmente, com um atraso que o prejudicou, cinematograficamente o filme foi vulnerado pelo tempo. Fazer Iracema em 74 representava, de fato, grande risco. Mas hoje o objeto de sua denúncia deixou de ser prioritário na escala de preocupação dos brasileiros. Mas a verdade é que embora padeça de falsa espontaneidade na encenação de sua denúncia, e seja esquemático na analise dos fatos, "Iracema" tem garra sociológica. E consegue traçar com inequívoca sinceridade um painel da pobreza de uma população que ficou à margem da História (...) (crítica da época de José Carlos Monteiro no O Globo em 31 de março de 1981) - Sinopse completa:O filme é na realidade um auto-retrato da população da Transamazônica. Retrata realisticamente os problemas da região. Conta a história de uma menina do interior, que vai a Belém com a família para pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as companhias que encontra levam a menina à prostituição. Conhece num cabaré um motorista de caminhão Tião Brasil Grande, negociante de madeira. Influenciada pelas outras prostitutas ela quer ir para os grandes centros ( São Paulo e Rio) e pega carona com o motorista. Saem pela Transamazônica, testemunhando toda a espécie de acontecimentos e dramas que a construção da estrada impôs aos habitantes locais. Abandonada pelo motorista num bordel à beira da estrada, a jovem se vê diante de uma realidade cada vez mais chocante e decadente. Vale ressaltar a presença de Paulo César Pereio...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"Contos Girassóis"

...Pôr do Sol na borda da cachoeira girassol. Eu ando sobre uma encosta de chamas mágicas que se inclina para o fio de água... Ainda observo o Sol brilhando intensamente sob e sobre mim. Nuvens estão navegando no céu azul, flutuando no ar deslizando alto baixo sem fim. Árvores e pássaros de cores vivas rondam com alegria, exibem sua glória Sol
antes da vinda da noite, o Sol reina Girassol, gira na luz do dia aguardando noite.
Ela escura espera a claridade da Lua Cheia. Uma suave incandescência de fogueira e brasa no final astral, a fumaça é levada ao vento, ouço o bater das asas da ave noturna ecoando no matagal. A flecha incandescente fogo água tem seu reino salamandra ondina em tempo. Nuvens que eram brancas tornaram-se invisíveis, reina então as estrelas. Renascendo o luar de mistérios poemas, mas não desespere,
a noite terá seu fim...
Com o raiar de um novo velho dia e nossas vozes no eco de nossas poesias...
Everaldo Ygor
Contos Girassóis - 2006/2007.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Dias de frio e chuva em Sampa e Cercanias...

Dias de frio e chuva em Sampa e Cercanias...
Chovia muito e o frio pairava na manhã de segunda-feira, ontem dia 23...
Já fazia um bom tempo que havíamos marcado uma visita ao Sítio da Família Busca Pé em Terra Preta. " Essa é a pegada!" Foi a gíria do dia...
Reunimos, eu, Chiquinho (dono do barraco) e o Carlão (eletricista) que iria fazer reparos na rede elétrica local... Pela manhã começamos os preparativos, cerveja, carne, pão e capas de chuva... Eu; folhas de papel em branco, caneta e lápis no bolso... Horas depois, muitas horas, estávamos na estrada esburacada e escorregadia com visão ofuscada pela neblina, a Brasília Amarela 1970 deslizava estrada adentro via Fernão Dias...
Com paradas estratégicas em bares, fomos aquecendo o caminho e nosso motor, conhecendo atalhos até a porteira do sítio em Mato Dentro, lugar mágico encravado na Serra... Cheiro de mato, de chuva, de pensamentos com cheiro da bela MãeTerra. Conheci novas plantas como o Pé de Incenso e a Novalgina... Acreditem, isso nasce do solo, em belas, aromáticas e formosas plantas... Sem perder tempo, preparei minhas mudas debaixo do aguaceiro.
Descemos em progressão na direção do vale, lama escorregadia, encontros com o Pé de Canela, Laranjeiras, Limoeiros, temperos diversos e um gigante e incrível Abacateiro que escalamos logo...
A chuva, não dava trégua, a névoa cobriu o vale e o frio incauto penetrava nossas vestimentas úmidas. Bebericamos, conversamos, contamos causos com o vizinho Sr. Alberto, oriental e profundo conhecedor da historia oral... A solução vem de Portugal de remanso, tomamos então a Bagaceira! Ufa! Que calor...
Churrasco em plena segunda-feira, resistimos à tentação surreal de ficar e não voltar. Tralhas no veículo, destinos traçados para a cinzenta, mata fria e chuvosa Sampa.
No retorno, parada em Mairiporã, mais uma gelada na antiga padaria, relembrando histórias antigas, de como aquela cidade crescera, tudo muda, nós mudamos... Visitamos um grande estabelecimento que comercializa todos os acessórios para Sítios e afins... Uma bela loja no centro, que ainda tem fogões a lenha e artigos bem interessantes e curiosos desde mudas diversas até cutelaria e outras diversidades...
Mais estrada e chuva, a noite cai e nós acendemos nosso farol de milha, abrimos espaços nos entroncamentos e atravessamos a neblina densa, gélida sentido Sampa ainda Esfumaçada...
Atracamos molhados no Bar do Chiquinho, conhaque e mais histórias de aventura de segunda...
Inacreditável, mas real, caminhos em dias de água, friagem que estimula a escrita interior, visitas interiores em lugares que no Déjà Vu diário, nos faz lembrar de lugares que nunca estivemos, ou estivemos em outras dimensões... Ou estamos em nossos dias, enclausurados em nossa própria escrita e tempo. Enfim, apenas estamos escritos...
Everaldo Ygor

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Séries Crônicas Urbanas III - Locais Reais e Imaginários.

Séries Crônicas Urbanas III

Locais Reais e Imaginários.

Um dia após o casamento do camarada Toninho Louco, uma prova real de que até os mitos mudam, crescem e se transformam em novos mitos... Sem dúvida um dos melhores que já fui, festa, conversas, revelações, intrigas e guloseimas a parte, a tertúlia foi iluminada pela cachaça amadeirada pela umburana dos confins do Brasil. Vi pessoas felizes, há tempos não saia para festas, estava guardado empoeirando, estudando e refletindo dias afins esperando o telefone tocar, esperando o chamado que nunca chega. Fechamos o salão e fui discorrer sobre a festa em meu travesseiro. Acordei cedo, uma pequena ressaca pairava na mente. Água gélida na face, diante espelhos de um homem só. De cara na rua, observei o céu azul, lá estava a Lua quase cheia, branca, pairando no claro firmamento azul claro, pairando sob e sobre nuvens esbranquiçadas. A brisa fria teimava em soprar em todas as direções, fiquei contemplando a manhã de domingo inverno antecipado, parado, incauto por minutos afim. Observei na laje vizinha um churrasco em andamento que me lembrou o da festa do dia anterior. Na rua encontrei o casal recém casado, senti falta de meu cão Jack, falecido recentemente, senti falta de um Amor recente, de mar sem fim, senti falta da própria falta. Colar de sândalo no pescoço, permaneci. Fui até um campo, ladeado por uma grande praça próximo de minha antiga casa. Seguindo anúncios de faixas de um espetáculo de Reggae com Andrew Tosh e o DJ China Ken entre outros, camarada das antigas Blaks da Vila Madalena dos anos 80. Caminhei lento, mas ainda era muito cedo, resolvi almoçar em casa de Mãe... Retornando mais tarde ao local do espetáculo, caminhei em círculos concêntricos. Por aquelas paragens já ouvira falar de um Bar das antigas com moda de viola naquela área, nunca encontrei o mesmo, nada. O som já começava a soar na tarde fria de Sampa, na Zona Norte. Sentei em um banco da praça, tomando conta do movimento, tomado pelo flash beck do passado recente em minha mente, pensamentos, sensações, vazios, falas e suores embriagadas ao vento frio, ao Sol, ao som do compasso do coração, da respiração. Caminhei, observei minha carteira quase vazia, ao menos R$ 5,00 para duas cervejas, algumas moedas e nada mais. Tomei distancia do palco, o cheiro do mato das bordas da grande praça estavam no ar, eu estava no ar, uma oferenda, um agdá e algumas rosas... De repente uma passagem de som de outra direção, outro tom. Lá estava ele, um boteco na esquina em frente ao campo, ao palco ao personagem insólito desse e deste conto. Das crônicas urbanas, das cercanias periféricas, dos dias... Definitivamente era o bar Ponteio da Viola. Adentrei ao recinto sem vacilar, ao redor pessoas antigas, observavam estupefatas o evento lá fora. Eu, inebriado apreciava confuso a decoração local. Fui ao balcão lá estava ele, o mestre Tião Carreiro, aquele da dupla Tião Carreiro e Pardinho, Negro de dois metros, olhos que brilham, sorridente organizando a bagunça de um novo velho e sonhador espetáculo que estava por vir. Dono do boteco que seria o porto seguro para dias frios, dias de reclusão de liberdade plena... A figura mágica a mil metros de minha antiga casa e nunca havia percebido sua magia, sua presença. O bar existia anos a fio pelo que apurei no Local. Simples com pôster na parede, pequeno palco no fundo, sempre aos domingos a tarde a Viola Mágica tocava por Lá... Sempre na tarde de domingo! E eu só descobri no último domingo, às vezes estamos cegos diante de verdades tão belas e transformadoras. Uma pérola na perifa. Perguntei tremulo e ingenuamente no balcão: - Você é o cara?!
Em resposta serena, veio a frase do eterno... - A gente faz o que pode, vai tomar uma?
Peguei a cerveja, sentei, dividi atenção dentro e fora do bar, lá longe ecoava as mágicas pick-ups do DJ China Ken, aqui dentro, timidamente o som começava a girar, eu começava a renascer ao som da verdadeira Raiz, de minhas raízes, das raízes profundas dos outros. Os convidados todos das antigas, com CDs lançados, gravadoras, violeiros iniciantes, as duplas e indivíduos que trazem na alma o violar instrumento supremo das notas musicais, de notas regionais, de Elementais da natureza, de amores e trilhas... Ouvi estórias surreais, da estrada da vida, da viola, do respeito, do interior, do nordeste, da saudade, de existências sofridas, mas felizes. Tião Carreiro orquestrava a fuzarca, eu bebia. Levantei logo fui ao balcão parabenizar pelo óbvio, ele sério e sorridente, ofereceu uma pinga para molhar as palavras, de pronto aceitei, e proseamos sobre os jovens Lá fora no som e nós os velhos aqui dentro na Paz... Um dia volto lá e levo o som do Moreno, violeiro irmão para ele apreciar... Tomamos mais uma, contei o causo de compadre Lampião e ele vociferou o causo da Viola, da vida, deu aula que nunca mais esqueço, me calei eternamente e ouvi sua voz com respeito até o dia clarear... – Vai lá Tião! Um domingo extraordinário, que dificilmente vai repetir, vivi alguns momentos belos, uma tarde de luar, surreal aos olhos dos outros, ao meu luar. Comovido ouvi sons melódicos, na certeza incompreensível de estar realmente só nessa caminhada, em dias gélidos, outono inverno em nossas almas, com Sol fraco, dias claros onde o bom e velho vento nem sempre frio ainda teima em mandar mensagens nem sempre decifráveis, sempre... Dividindo nas cinco direções, ao olhar na voz tremula sua mensagem solitária nas Crônicas ou contos Urbanos do Ar, do Sol do Frio, das cercanias periféricas capitais. Sempre!
Everaldo Ygor, Maio – 2007.
* OBS. Em entrevista ao Gazeta Regional em Notícias do Parque Novo Mundo-ZN. Declara: Valdo Reis, o Tião Carreiro de hoje... Compoe hoje a dupla sertaneja Valdo Reis & Platini.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Verba volant, scripta manent...

Verba volant, scripta manent...
Dias no Campo Verde, seco, vivo, água fértil e infértil. Poemas e fogueiras em noites frias.
De 07 até 12 de Julho, Nazaré Paulista, sítio Quatro Irmãs, antigo Girassol.
O fogo de Nazaré, queima vaidades, queima saudades de cidades, ao som poeta de Pablo Neruda ao meu som, ao som da gaita, do caderno da poesia prosa de sabor som Jasmim.
E o tempo? Tempo senhor fumaça de eucalipto, jasmim, hortelã e outras ervas aromáticas. Jasmim de terra prometida aos raros, verde de floresta devassa, de gramados e sons vivos da floresta campo casa sexo gente feliz.
“Para ficar vermelho
Mãos fortes domando potra...
segurando em suas ancas febris
arrancando gritos,
quebrando o silencio da noite
Vendo reluzir um belo sorriso, que riso...” Marrr.
A casa é branca com rede azul na varanda, Ilumina!
Estrelas ao céu e o tilintar de Seres nem muito ou pouco humanos grunhidos, canto dos pássaros, som da cachoeira.
E o Sol, o Sol escondidinho na cozinha do Marrr, está em todo lugar...
E eu, contrariado por Ser apenas eu... Tabacos e comidas, álcool e vinho, gostos e lugares, temperos e temperamentos para apenas uma caminhada semana feliz.
Logo mais o regresso. E o que o futuro guarda? Trabalho, namoro, correria, Sampa, Sol e Frio. Não importa, e sim a porta e janela abrem, guardamos a sensação de mais uma estrada de plantio e colheita Girassol. De portas e janelas transpassadas por fotos que não dizem nada, apenas murmuram a poesia prosa do olhar escondidinho...
Fotos, tralhas de pesca, varas ao Marrr, vento forte no pesqueiro, cevada, reflexões no reflexo do espelho água, face água, do tanque pesca vazio e penso pensamentos, reflexões e fisgadas de água gelada só...
Ao sair, horas antes, horas atrás, o frio chega até o refúgio Girassol, névoa fria, noite sonora de vento forte, ao som de pássaros, ao som de nossas cansadas vozes, ao som da antiga new age da fita K7, que é remanescente da fumaça corpo de fogueira da noite anterior, do quentão que aqueceu a brisa gélida, vinho quente que passou rápido, vinho que avermelhou a noite, fomos e formamos nossas malas e arrumações no refúgio, levados aos caminhos e descaminhos que levam de volta para lugar algum, para as cidades, idades, nem tão belas assim, nem tão férteis assim... Algumas dores retornam, outras fingem acontecer, eu caminho entre casas, ruas e praças, saudades de lá de cá, calado aquecido pela lembrança das Fogueiras Girassóis.
Everaldo Ygor.