domingo, 28 de dezembro de 2008

Fotos Ofegantes

Foto: Everaldo Ygor
Passado o Tempo de Ontem
Espírito sonhei – Um dia ganhar
Presentes de melodias
Aqui – ao lado das ruas
Sem almejar estar
Seguindo caminhos & mesas
Embalado por canções antigas
Ao som de pingos de chuva
Fotos Ofegantes
Procurando salvar emoções
Que ainda restam
Na surreal contagem regressiva da idade
Do tempo
Observando redes & comprimento de onda
Avelhantado em Natais e Realidades ausentes
Ora triste - Ora Poética
Vou orar...
No olhar da fraca visão – pesar
Vendo a vida
Vendo a vida passar
Vendo a realidade surreal
Do tempo por vir
Cruzamento ainda vivo
De vidas Tergiversadas
Ano Novo – Velho Poema
Desencontro as letras
Encontro o ato
De criar Poesia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Solos

Foto: Marlene Inês Kuhnen
Entre caminhos
A palha debruça - consome
Ventos restaurados extinguem as cores
Mas,
O aroma do mato dentro estende
De longe em passos débeis
Caminhamos
A seiva floresce o caminho
Borda o cesto vazio de Luz
Cheio de pensamentos & poesias
Cheio de bordas entremeadas
E as asas esquecidas - aquecidas
Dentro do quase círculo - Fios
Semeia
O letárgico sono da observação
Do olhar
Do bordar fios - cantigas
Desertos verdejantes
fotos & andanças
Em Preto & Branco.

domingo, 28 de setembro de 2008

O NÃO LUGAR

Foto: Ianoff
No remanso dos Sonhos
Ao parar de Sonhar
Dentro da mente - Cercania de Dias
Do "Não Lugar"
Preto & Branco
Sonha o vento crepuscular na face da Multidão Solitária
Assim
Anoiteço pensamentos.

Everaldo Ygor - Setembro de 2008.

domingo, 31 de agosto de 2008

OLHOS NEGROS

Foto: Google
Dois olhos negros
Entra e sai de portas móveis
De bares e líquidos internos
Externos
Abre & Fecha
Abre & Flecha
Ao Olhar de dentro
Podemos ver o de fora
São raios catódicos de olhar
Matam ao aproximar
De saudade liquida - líquida face – sólida lágrima
Psicodélica
São espasmos poéticos dos dias
Novas
Velhas
Andanças
Sem aventuras - que não trazem o passado - futuro
Trazem - Olhar
De
Dois olhos negros...
Dois olhos - negaram
Dois negos - negou
Duas faces...
Dois olhares
Para fugir do olhar
Só...
Pela
Ponte...
Pela Ponte.
Everaldo Ygor - 2001, editado em
2002, 3, 4, 5, 6, 7 & Agosto e Setembro 2008.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Garganta

Foto: pixdaus.com

Existe uma ladeira muda

Fica atrás de uma janela entreaberta

São caminhos

São
Gargantas...
Sussurrando
Sussurrando
Sussurrando
Sussurrando
Sussurrando
Everaldo Ygor - Agosto/2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

ASTRO REI

Contorna & volta
Continuamente, gira voltando sempre
Inquieto
Bailando no ar, movimenta - tenta...
Que fosse então
Uma rajada de beleza
Constante
Gostosa
Fico – então...
Contemplando estrelas
A Lua...
A brisa inusitada
No Aforismo de pensamentos inquietos
Transmutado em funesta criatura
Vou Demarcando Sopros
Perpetrando sempre o regressar
Volta sempre, traz novas evidências
Em forma de vento breve...
Em aura continua, mágica folhagem arremessa, vai.
Lava a terra, lava expressões – leva missivas precisas
Em mim, no ar, nos arrabaldes
É só...
- O preciso, precioso “Vento”.
Ao "SOL"
Reinando nas cinco direções
O Astro Rei vai iluminando trilhas
No quinto caminho
Sob e sobre nossas cabeças - Inícios - Recomeços
Ao meio dia
Não existem sombras.

Everaldo Ygor - Julho/Agosto 2008.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Da Arte de Escrever Cartas & Sonhar...

As cartas são mágicas, algumas esquecidas - aquecidas, outras perdidas no Tempo, quando remexo cartas antigas dos meus pais, encontro um recorte da história dos homens, da escrita, do Amor, da saudade, da surreal Arte de Escrever Bem... Amareladas com letras magníficas, papel pautado, cheiro envelhecido, cheias de graça & contornos que ninguém mais faz. Uma aula de caligrafia, um capricho só... Arte pessoal da relação da folha em tom cândido com as idéias em formação, com a emoção. E os selos antigos/novos, cada um com sua data de comemoração, “olho de Boi” e outros tantos, pequeninas artes adesivas que marcam ao olhar, basta um circuito na Praça da República em São Paulo, no Domingo, para ficar imerso no mundo dos Colecionadores de Selos... Os envelopes, grandes, médios e pequenos, timbrados, internacionais, coloridos, uma viagem poética aos sentidos todos. As cartas das crianças e adolescentes, cheias de cores, adesivos, papel colorido, papel especial de carta, com personagens diversos, papel reciclado, mimos que poucos hoje em dia ousam fazer, ousam vivenciar, quando me vejo aqui, em frente ao computador, na gélida tela dos dias vou dando bordoada no teclado, o cálice da escrita jorra em minha face, a saudade de preencher folhas alvas, de errar, corrigir ou recomeçar uma nova carta, amassar o papel, sentir o lápis ou caneta fluindo no espaço. Não importa, ao acabar essa missiva vou escrever mais uma carta, nem se importando com a paralisação dos correios... Os cartões cada um mais formoso que o outro, sempre preferi fazer os meus... Sim, colagens - aquela arte já esquecida método meio hippie, até já fiz papel reciclado e enviei, me lembro agora quando jovem, fui até a casa de uma pretendente minha e coloquei uma carta cheia de versos de Vinícius de Moraes na caixa de correio dela, que saudade desses tempos que teimam em voltar em nosso adágio... Algumas cartas comprometedoras até, outras nem se fala… E outras tantas nunca enviamos, ficam guardadas em gavetas ou caixas empoeiradas... Vale lembrar o grande mestre Fernando Pessoa, na Poesia de Álvaro de Campos:
...Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas...
Um dia desses enviei uma porção de incensos para uma pessoa valiosa, de todos os tamanhos e sabores, foi o presente/carta mais “perfumado” que já enviei, junto um cartão artesanal, com papel reciclado e colagens, com um poema de minha autoria, enfim cumpri minha missão... Hoje, tudo frio, distante, gelado demais, emails, Blogs, celular ou telefone fixo, ao vivo quase nada, poucos abraços & beijos, e cartas escritas do próprio punho menos ainda, sem dúvida a tecnologia informa, mas pode distanciar também... Existem alguns filmes e livros que valem a pena serem apreciados, como o Surreal “P.S.: eu te amo” de Richard Lagravanese, onde cartas póstumas emocionam e ilustram o roteiro... E “A Carta Anônima” de Peter Chan, com a ótima trilha sonora de Roy Orbison, onde o roteiro gira em torno de uma carta de Amor anônima... Para conhecer a Arte do Calígrafo, recomendo “O Livro de Cabeceira” de Peter Greenaway uma viagem na sedução e caligrafia oriental, o cheiro de papel branco é como o odor da pele de um novo amante... No Brasil temos o já conhecido “Central do Brasil” de Walter Salles... E os Livros, não podem faltar, verdadeiros clássicos como “Cartas a um Jovem Poeta” de Rainer Maria Rilke, e As Mais Belas Cartas de Amor de Kahlil Gibran, entre tantos no Brasil, ressalto a bela obra “Correspondências” de Clarice Lispector, Cartas de Machado de Assis e Euclides da Cunha e De Poeta para Poeta – “Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond”. Existem outros, muitos outros que vou deixar a sua escolha meu caro leitor... As cartas carregam o coração. Por isso, mãos à obra - escreva uma carta já!
Everaldo Ygor – Julho 2008.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

“Antigas Verves”

“Antigas Verves”

“Headpiece filled with straw”
The Holow Men
T.S. Eliot
“Das antigas”- essa é a palavra, a mim secou-me a boca, o fumo forte de corda negro de Arapiraca, o cachimbo artesanal de bambu, o chapéu de palha, os Seres hipnotizados pela velha tecnologia da foto P&B... A fumaça e seus aditivos naturais lá dentro da cabeça, no Akasha, fazem ativar lembranças das Elegias de Duíno de Rainer Maria Rilke. Escrevendo esse epitáfio, essas linhas ao som de Fela Kuti, a boca seca novamente, observo a foto calado, e ouço o vento frio anunciar a garoa na tarde bucólica dos dias de São João. São lembranças secas da vida, de fogueiras, do passado recente & antigo como deve Ser, mas novo como a aurora em sua face branca pálida rugosa e lisa... Caneca na mão, da para sentir o aroma forte do café fresco da fazenda... Óculos, sinal de miopia, hipermetropia ou astigmatismo... Espero sem pressa que as palavras encontrem seu lugar, nas flexões, nos sonhos - na beleza surreal das cadeiras de madeira, dos corpos, do chinelo de couro, da face enigmática da ausência das cores... Que os Seres da foto saiam e contem sua história, um poema desejado talvez, um olhar ao fundo da alma, do dia, da noite, que possam enfim saciar a minha sede. O que o corpo demonstra o rosto ai desconhece, observa o horizonte desconhecido que a foto não mostra jamais, mostra o colar de sândalo com cheiro da alma... Os lábios finos dizem algo inaudível aos sentidos cor de sépia.
– As mãos dadas na varanda, nessa jornada ao relento dos dedos cheios de ondas, cheios de anéis, afeição & cheios de água sangue.
O que a face dela entrega?
O que o olhar dele diz?
O que T.S. Eliot fala?
Em que época está situada na inusitada linha do tempo, em 1917 na Revolução Russa ou 1968 na utopia de revoluções inacabadas, perdidas no surreal tempo da cultura Hippie - acho que não... São personagens das Crônicas dos Dias – camponeses dispersos - andarilhos luminosos astrais, informais, até perderam o brilho e na certa foram e são Poetas. Instante volátil & infinito, faz meus olhos e ouvidos sentirem o breve cochicho dela para ele, de súbito desperto do devaneio louco, tomo mais um “tinguá” - e deslizo a mão trêmula sobre o teclado. Ao fundo um girassol - acho graça, cena forasteira, mas que foto estranha e suntuosa... Faces pela metade, corpos pendendo para os lados. E o Senhor do Tempo sempre cumprindo sua tenebrosa missão de envelhecer fotos & Seres, escritos e poemas, preenchendo espaços de saudades que não voltam mais, lento impôs ao meu Ser essa imagem terrena, nem Lua, nem Sol, entardecer em Preto & Branco Envelhecido, dentro e fora de mim, no espectro do descompasso do meu coração, assim encanta. Transcender essa desconexa redação, transformar em Poesia o que já é Poesia, é absurdo do final dos dias, talvez todas essas linhas sejam inúteis, e somente, tão somente a foto, só é - poesia original.
Mas, ao olhar mais uma vez os rostos pensativos, as nuances, a paisagem, as vestes, sombras penetrantes dessa foto canção, o coração fala das dores de Amar, armar pensamentos para viver, da beleza abstrata contida naquele instante, tranqüilidade, cumplicidade, elementos essenciais para o poetar. Sua Verve é inesquecível, motivo de adjetivos diversos - inesgotáveis para descrever os imóveis Seres de Chapéu de Palha... Enfim, podem Ser - Matamoros, da Fantasia da obra de Hilda Hilst – Tu não te moves de ti. Todas as vozes internas de homens, mulheres e fotos... Paro por aqui - depois de tanto tempo, na angústia de escrever símbolos, lutando para que outros parem de lutar, polindo o pó da estrada que impregnou as vestes negras, na emoção humilde que nada sei, senão a infindável arte de adjetivar, caminhando sempre para o encontro inevitável e inesperado com o velho e imortal Tânatos...
Janeiro até Junho de 2008 - revisado muitas, muitas vezes...
Everaldo Ygor

terça-feira, 10 de junho de 2008

Estado de Permanência

Com esse poema a trilogia do Concreto e da tensão das palavras de "1992" termina. Transportados para os dias atuais de Fenecer de “2008”. Todos ligados por um tênue fio, como o surreal cordão de prata que liga nossa alma ao corpo físico...

Permanecer imóvel

Lá as nuvens vão indo

Permanecer imóvel

As ondas rebatem no rochedo

Permanecer imóvel

As ondas recortam as areias

Permanecer imóvel

A estrela cadente rasga os céus

Permanecer imóvel

O vento

Permanecer imóvel

Os animais

Permanecer imóvel

As árvores

Permanecer imóvel

As rochas & montanhas

Permanecer imóvel

A liberdade

Permanecer imóvel

Os homens

Permanecem imóveis

As estátuas

Parecem se mover.

Do Livro Estação Liberdade (Da Existência do Ser) - 1992

De Everaldo Ygor - Poesia Concreta

terça-feira, 3 de junho de 2008

LINHAS CONCRETAS

Imagens
Observe essas linhas
Viva estas imagens
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Observe bem não é um dogma
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Agora mais uma vez
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Já está dando para perceber
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Que
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São apenas linhas...
Do Livro Estação Liberdade (Da Existência do Ser) - 1992

De Everaldo Ygor

Poesia Concreta

terça-feira, 27 de maio de 2008

LIBERDADE CONCRETA

ALPAZAL
TARPAZTAR
TÁRIOPAZTÁRIO
ALISMOPAZALISMO
TINAGEMPAZTINAGEM
LIBERDADEPAZLIBERDADE
PAZ
LIBERDADEPAZLIBERDADE
TINAGEMPAZTINAGEM
ALISMOPAZALISMO
TÁRIOPAZTÁRIO
TARPAZTAR
ALPAZAL
AQUIPAZJAZZ
O
PASSADO
O
FUTURO
PAZ
Do Livro
Estação Liberdade (Da Existência do Ser)
1992 - de Everaldo Ygor
Poesia Concreta

terça-feira, 20 de maio de 2008

Zélia Gattai, Jorge Amado & Borboletas, Lembranças e Homenagens...

Nesse mundo
Em outros – talvez...
Existam borboletas
E também
Existam gaiolas
E nelas
Nas gaiolas abertas,
Alguns pássaros vêm saciar a sede - a fome
Alguns apenas por alimento, outros por linhas e cores.
Outros, ainda
Com asas fraturadas
Buscam apenas
Palavras & Versos - o alimento.
São Gaiolas abertas, fechadas, semi-abertas, serradas...
São apenas os pensamentos...
E as Borboletas, antes casulos.
Com suas cores e desenhos mágicos
Vivem rápido...
Como poemas breves - efêmeros
Borboletas vivem dois dias,
Duas semanas,
Seis meses e até um ano...
Eu vivo poetando...
Será que Jorge Amado e Zélia Gattai viveram muito?
Foto: Everaldo Ygor
19 e 20 de Maio.

terça-feira, 13 de maio de 2008

"Versículos Hibernus"

Versículos Hibernus
I
As luzes são recobertas por cinzas
Elas ocultam a verdade
De que o Poeta está fora das convenções – Um Outsider
Encobriu espaços de solitárias poesias & caminhadas...
Soprando como o demônio *Urizen - libertando gélidos monstros...
Gélidos ventos – frias letras e linhas
Anteciparam estações de Outono Inverno - É Deméter sentindo saudades...
II
Surpresas são hordas de toxinas
Seres ameaçados pelas verdades bucólicas
Estiagens de Outonos
Traindo imigrações - migrações
Áreas quentes anteriores
Distantes demais
Tolheram o vôo
É uma nevasca fascinante, estarrecedora
Sem fim... Vasta, terrível.
III
Era a vez
Era uma vez...
De condenações na superfícieMorte talvez...
Na Natureza Selvagem
Ventos frígidos adjetivados
Desferidos sobre eles – Desfeitos pelo vento
Pássaros da morte são eles
Já na forma de inanição
Sem asas
Sem comer
São apenas
solitárias aves...
IV
Foi quando
Milhares saíram de campos noturnos, interiores soturnos
No apelo terrestre
Surreal entre homens e animais - seres iguais
Juntando asas, aves, por todos os campos, cantos cerrados
Enviando pensamentos e corpos
Para regiões ensolaradas
e outras pragas mais...

V
Que exemplo os seres que voaram deixaram...

Um de Amor

Translúcidas mãos e asas – escritos tortos.

Longe da bondade

São melodias ao Sol – Melancolias ao Blues

Aves e Seres

Condenados

Ao regresso

Do Amor

Para mundos de pássaros interiores...

Maio 2008.
* Urizen – O Primeiro Livro de Urizen- William Blake
Foto: Everaldo Ygor P&B envelhecida.
Ao som de Black Sabbath - Planet Caravan

terça-feira, 6 de maio de 2008

Bailando em Outonos


"Festival Andanças 2008"

de 4 a 10 de Agosto de 2008 na aldeia de Carvalhais em S. Pedro do Sul.

Portugal - União Europeia.

Às vezes o assim é assim
Nas manhãs dos dias
Sou também esse asfalto - esburacado Lunar
Sob minha cabeça se abre

Esse chão frio
Sobre & Sob meus pés racha - canal mucoso se estende
E lá longe, bem longe...
Não sou aquele pássaro
Nem os que vem do Mar
Não...
Talvez só as asas - casas
Nem o barco que navega, nem as velas, nem o vento
Sem o leme, sem destino, sem rumo
Mergulho, fecho as asas que não tenho
Brancas e Azuis

Silfos & Ninfas no Ar

Era como queria que fossem
A queda é real, longa, sem paradas pesarosas - rosas
Não desejo estar lá...
Tão longe das linhas
O machucado fez antes sangrar palmas aflitas
Coagula a mente, o sangue – cores mórbidas de funeral astral
Outro deserto de lamentos - Outras Andanças
Um pântano - Suga
Alma minha úmida de solidão
Perdida em pastagens fora de sintonia
De
Flores, mares e chuvas...

Ondinas na água

Vendo o Vento.

Ao som, ao olhar na dança do coração.
No Frio intenso de Outono.
Everaldo Ygor
4:20 da manhã de 30.04.2008

&

No dia seguinte

É tão distante

Como chegar em uma estrela

Na certeza de não encontrar a Paz

Ou tocar - todas tão distantes...

Deixa de Ser luz suave

Vou, então - ausente

Caminhar escritas em noites felizes

Com

As mãos

Que

Não tenho mais...

Vou bailar - Ao som de Ayub Ogada

Vou somniare

Madrugada de 03.05.2008

Everaldo Ygor

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Virada Cultural, Desviradas & Consumo...

A saga começa na sexta dia 25 de abril a tarde e foi até dia 26 as 23h... Para consumir cultura é preciso ter pernas ou não, disposição talvez - para encontrar uma atividade gratuita na gigante e burocrática São Paulo... No SESC Pompéia, na área de convivência eu e Marlene apreciamos a exposição Vida Louca, Vida Intensa – Uma viagem pela contracultura que vai até 22 de junho de 2008 – Literatura – Noites Sujas: Com o grupo de Sarau e Intervenções Nuvem Cigana, após um fabuloso Sarau uma intervenção antropofágica de Dança com o Grupo Cia. Nova Dança 4 no espaço Punk. Essa exposição é bem curiosa, percorre o período beatnik, o psicodelismo e o punk com imagens de 1965 à segunda metade de 1970, com debates sobre contracultura, tropicália e multiculturalismo. Os filmes dessa mostra são “alucinados” Mistérios e Paixões (Naked Lunch) de David Cronenberg. Medo e Delírio(Fear and Loathing in Las Vegas) de Terry Gilliam. Scens from the life of Andy Warhol de Jonas Meka. Vinyl de Andy Warhol. A Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky. Sem Destino (Easy Rider) de Dennis Hopper. The Cut-Ups de Willian Burroughs e Bryon Gysin. Poeta do Submundo (William S. Burroughs: Commissioner of Sewers) de Klaus Maeck. Kerouac: O Rei dos Beats (Kerouac: The Movie) de John ANtonelli. Viagem ao Mundo da Alucinação (The Trip) de Roger Corman. Bom, esse é apenas um recorte, existem outros filmes e atividades que devem ser consultados na Programação do SESC Pompéia-SP... Passamos então para as desviradas culturais, no Centro e nas Cercanias de São Paulo, que por incrível que pareça foi muito melhor que do ano passado, enquanto toda a massa corria pelo centro em movimento frenético atrás das “diversas culturas” nos bastidores, ali nos andares superiores do Olido e em lugares nem tanto ocultos, o Sr. Kassab, nosso Prefeito do DEM antigo PFL comemorava sua aliança com o PMDB do Sr. Quércia e lógico o sucesso da Virada Cultural, e de sua campanha... Segue o relato de um “pequeno” recorte da Virada Cultural 2008. De início fizemos o reconhecimento da corrida cultural do “destruído” Centro, saímos do metrô na Estação República ouvindo os ecos do Grupo Terço no Palco do Rock – caminhamos mais um pouco e aportamos no Palco São João ao som de Cesária Évora... LINDO! Primeira parada para uma cerveja em um pequeno Bar na São João, ao som de Cabo Verde, me lembro que os cabelos do Mar estavam belos, cor de ouro, naquele momento, a luz amarela, a fumaça de cigarros paraguaios, a cerveja gelada, um telão ao lado, fizeram mágica essa andança, chegança talvez... Encontrando pessoas, amigos, vultos, auto-econtrando... Mais alguns giros e o lugar agora é o SESC 24 de Maio, com uma ótima exposição: Nó na Língua – Usos e desusos da língua portuguesa. Lá distribuíram um Livro excepcional com um recorte da história da Língua Portuguesa, ótimo material didático para aulas e afins... Instalações interativas e vivências em nossa Língua, e também na Língua Boca Beijo! Beijei e pronto! Ali mesmo um surreal palco para dança, na marquise, luzes, corpos - som & sombra, tudo certo! Caminhamos em ruas paralelas, Teatro Municipal, animações e filmes em telões espalhados no que parecia Ser uma confusa multidão solitária – filas, luzes alumiando fachadas destruídas, faces cansadas... O jeito é aportar no Lado B da cidade, Canja Rock Blues nosso verdadeiro destino. Johnny Boy, Mário Manga, Celso Pixinga, Hugo Hori, entre outros, Progressivo, Blues, Jazz, Fusion e nós... Alí ficamos, dançamos, agitamos e flutuamos em fumaças densas demais... Por fim andamos. Ouvindo rastros de outras atividades, apreciamos novamente a intervenção na “sacada” na direção do Anhangabaú o som do Lado A, Roda de Improviso – Instrumental Brasileiro com Ulisses Rocha, Bocato, Renato Borghetti, Proveta entre outros... Atravessamos e observamos o velho Correio iluminado, atraídos como mariposas, vamos para a Luz do Palco da Dança no Vale, ali ficamos imóveis, incautos, apreciando os movimentos, os corpos, o som, nossos movimentos... Do outro lado o Teatro, o Circo, palhaços – Pia Fraus com seus fabulosos bonecos e máscaras... Um curto momento, movimento que levou para as infâncias perdidas... Após horas de atividades e consumos, hora do lanche, Largo do Paissandú em frente ao Palco da Capoeira, um Churrasco Grego, isso mesmo aquele que fica girando indefinidamente ao relento, com aparência estranha, mas saboroso, com molho especial e tudo +, meia dúzia de sucos grátis com sabor indecifrável, afinal ninguém é de ferro... Andança final em direção ao Metrô São Bento, rápida observação no Acrobático Fratelli, pernas cansadas, mente entorpecida, despedida - beijo rápido e abraço longo de Urso - tchau até mais...
























"O brejo vibra que nem caixa de guerra. Os sapos estão danados. (...) A saparia toda de Minas coaxa no brejo humilde. Hoje tem festa no brejo!"
Carlos Drummond de Andrade
Fotos: Everaldo Ygor & Marlene I. Kuhnen

quarta-feira, 23 de abril de 2008

L e t r a s - C i n t i l a n t e s

Letras Cintilantes
As letras,
Os versos,
As lanças - Danças
As gotas
Irradiam sons, cores – erros.
Luminosidades douradas, solitárias
Vertem murmúrios luzes
Ora prazer – Ora uma boa reza.
A chuva passou, mas seu som não foi incandescente
O sol veio fraco, em forma de alucinação,
nasciam sonhos
Distante inenarrável
Incompleta ode

Ruído voraz vagueia
Silencia a vida passeia...
Não quero rimar
Nem remar, quis poetar

Águas ressoam frestas cintilantes – Abarrotam Linhas & Crateras
E o desejo rodopiando letras remanescentes
São nascentes de destinos bailarinos.
Nascemos para dançar, para bailar...
Everaldo Ygor
De 19 até 23 de abril 2008.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

REFLEXOS


Com a chuva o cheiro da terra molhada
Respiro
Recordações, brincadeiras – O tempo
Coisas que eu nunca mais encontrei

Inquietude como barcos antigos
Vou entoando canções cristalinas
Enfrentando maremotos tortos
Sonhando no porvir
Minha inclinação para a vida se desfez
Impotente, incoerente – inquieto eu sou
Movimento involuntário
De gostos & olhares
Reflexos do Sol em mim
Na água
Na luz que ilumina
No meu passo - penso
No traço - escrevo
Eu faço
O porvir...
Surgirei Alfarrábio!
Resolvo seguir
A beira Mar
No Bar
Andar
Pescar
Margear
A beleza
Clareza
Faz da flor Pássaro fortaleza
Fez da letra firmeza.

Pés descalços – desamarrados - desarmados
Acalentando Prantos – Sonhos - Soltos
Encantos Claros & Escuros - Cantos
Andando em Gargantas entaladas, Lágrimas fluídas
Cantando
Amores Férteis
Encantos Breves
Indefesos
“Matos”
No reflexo da água
Da minha face
Vou
Voar, voar, voar...
SER
Ar.
Everaldo Ygor
Pescarias & Águas – 11 & 13 de abril 2008.
Foto: Everaldo Ygor

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ANDANÇAS...

Capítulo I

O Bar, O Livro & A Cachaça

O Talentoso Ripley
O encontro foi para ver teatro de Rua na Praça da República, sexta-feira á tarde, Assembléia dos Professores Estaduais, começa a garoa, a peça foi adiada, tempo frio, aportamos em um bar “sujinho” próximo a praça, duas doses de conhaque com limão, novas andanças...
Já em outro ambiente, Eu e Mar, estamos no Espaço Cultural Cine Olido, para ver o Documentário é tudo Verdade, terminamos assistindo - O Talentoso Ripley, de Anthony Minghella - afinal é tudo mentira... Espetáculo surreal, pessoas surreais, antes do início da película, uma briga intensa dentro da sala, seguranças e os dois "personagens" expulsos da sessão, o que mais poderia acontecer? Ao lado a famigerada Galeria do Rock, lotada da comunidade do Rock, concentrando para o espetáculo do Velho Ozzy em São Paulo, e a polícia rondando para averiguar a denúncia de que alguns “emos” foram hostilizados por lá...
Ao rever o filme ficamos extasiados, o Jazz, a fotografia, o ritmo vertiginoso, reencontrando o engenhoso Ripley que sempre esteve escondido em nossos porões...
Ao final, uma parada para uma cerveja, um debate, uma pinga com limão, uma análise regada com álcool e nicotina afetando o córtex pré frontal para o debate intenso que caminha em direção a existência e ao prazer do Ser.

São noites e manhãs - nem sempre o álcool é cruel, faz sentir presenças, espectros astrais...

Molha as palavras, turva a mente, de repente mais um gole,

Um olhar, uma boca, eu sou Dali...

Daquele copo ali.


Capítulo II

A Noite do Livro
Fui chamado de Livro, muito lisonjeiro isso - esse novo/velho apelido em meio ao manto do álcool, a discussão acalorada de passados recentes, de filmes, de Amores, de Poesia, de fotos marcantes nas vidas passadas, viagens & nos adjetivos diários, submersos em afagos e contos... O tempo foi passando e a cheia de aguardente e cerveja aos poucos dominando mentes cansadas, transbordando corações e mentes afins...

Enfim acho que gostei de Ser chamado de Livro.


Capítulo III

Primeira Noite & Comidas
De Metrô atravessamos a cidade, vagões lotados, bundas na face, ao chegar poucas palavras, um caldo para aquecer, “Brodo” na madrugada, os sabores, os cheiros, são eles que nos transportam, transbordam de alegria e desejo, viajamos para mundos melhores, belos, sensíveis, beijos longos, incenso e vela, murmúrios e sons, volúpia e prazer até o dia clarear...

Capítulo IV
Quando Nietzsche Chorou
Janis e John & All About Anna
Manhãs são curiosas, misto de ressaca e prazer, alivio e sede, risos e exibições, biografias, fotos e vidas - são assim simples como devem Ser.
Passado, presente – a tarde chega, chega com filme forte - Quando Nietzsche Chorou – O filme mostra o excêntrico encontro entre Nietzsche, Freud e o médico Josef Bauer, promovido pela sedutora Lou Salomé... Em um momento do filme Nietzsche afirma que “nossas vidas continuarão se repetindo infinitamente para todo o sempre, exatamente da mesma maneira como as estamos conduzindo agora”... E não é só isso, é muito mais - é um emaranhado de citações que nos deixam pasmos... O filme é uma viagem ao subconsciente, pois esse encontro hipotético nunca ocorreu, o que ocorre é um encontro dentro das mentes de leitores e espectadores do filme ou do livro, leva a reflexão da solidão, de Amores, da estrada, da família, do intelecto, enfim da vida toda... São nessas telas, nesses debates que existimos.
O tempo passa, fôlego, água, pequenas doses de pinga com Mel, uma soneca, corpo e mente nem tanto revigorados... São eles: Janis e John, de Samuel Benchetrit outra fabulosa história, uma trama que de início parece uma comédia, depois se transforma em uma bela e comovente história de vida, o retorno de John Lennon & Janis Joplin - que também leva a reflexão dos relacionamentos, dos dias, das vivências e experiências, libertação, música e criação... Marie Trintignant, que canta Kozmic Blues no filme é atriz principal e faleceu logo após as filmagens... Ao final o Erótico e hipnótico All About Anna, mais um sobre as relações, sobre o sexo verdadeiro, encontros e desencontros, relações simples com atores intensos... Enfim todos os filmes com uma fotografia bela, trilha sonora marcante, verdadeiros, que nesse momento atingiram os espectadores de forma mágica, interiorizando sentimentos, expondo emoções, fazendo crescer e caminhar por terras distantes... Ao final desse filme, outro encontro dos corpos, agora para sentir juntos, ao mesmo tempo os mais belos e intensos momentos gozosos da existência, ao final um sorriso...


Capítulo V
Lição de Casa ou Resumo de Textos
Resumo dos Textos
Pela manhã, deitada em cama caída, os olhos se abriram, espreguiçou o corpo, leve sorriso em lábios finos, esfregou os peitos em costas peludas. Levantou-se, olhou o dia que ainda parecia noite, e num exato segundo toda a escuridão lhe invadiu; lembrou-se em um susto, que era domingo.
Foi a cozinha, a água para o café, o bolo do dia anterior esperava a ser degustado...
Conversa rápida de despedida, caminhos chuviscados até o ônibus, até o mercado...Compras para a semana.
Os filmes assistidos, que a princípio, parecia uma leve comédia para descontração, mostrou-se superior ao esperado. Reflexões da vida, dos caminhos sem pegadas, um forte blues...uma lágrima de homem e uma estrada retomada.
O segundo agora mais picante, causador de arrepios na pele...O gozo chamando, esfrega, invade delicadamente a mente atenciosa na tela, UFA...Começa a dança, um gargalho espalhado pela casa, dois corpos satisfeitos tomados de energia nirvânica.
Agora é domingo, lá fora a chuva grossa cai...
Marlene Kuhnen 05/04/2008
Capítulo I ao IV, Fotos I, II, III e V- Everaldo Ygor

Capítulo V - Foto IV - Marlene Kuhnen
Ao som de Marie Trintignant Kozmic Blues:

terça-feira, 1 de abril de 2008

"Brava & Gostosa"





A brisa que vem Vem de lá
Da Rua Augusta
Brava & Gostosa
Perfumada
Atravessa até o Leste
#
Arranjou cabelos enrolados
Ao vento...
Cachos quase Louros - Na rua
Olhos pintados - Pretos
Lábios finos – cachaça & cevada
Fumaça
#
Cheiros e trejeitos
Veneno nas veias e falas
Comida colorida ao prato
Graciosos montes - Peitos
Refresco de flores a mesa
Água de Jamaica
Incenso
#
Filme raro na tela
Corpos
Filme raro no computador – Libertinagem noite adentro
Copos
Tem barco dentro do pote aromático
Tem borboleta no banheiro
Poema oculto no caderno
Máscara na sala – Não é Quetzalcoatl...
Tem gato na calcinha
Tem gato no telhado
Gato dentro da cabeça
Tem dúvida no coração.
#
Everaldo Ygor
30.03.2008
#
Fotos: Everaldo Ygor
Foto: Mesa do Bar - Marlene Kuhnen

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran

O Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran
Ao sair para uma caminhada matinal pelo bairro, observo crianças fantasiadas indo para a Escola, sim pequenos e graciosos palhacinhos dando paços curtos fazendo momices matinais... Hoje, 27 de Março é o Dia do Circo, Dia do Palhaço, paro e fico apreciando a cena surreal, gostaria de me vestir assim... Caminho mais um pouco, sento em um banco de uma praça e observo calmamente trabalhadores carpindo o mato, o movimento, a voz, o som das enxadas, o cheiro, o calor...
Reporto-me para a estrada, as viagens que marcam a gente, lembro que um dia encontrei um Monjolo, isso mesmo, aquele para bater feijão, milho etc... Coloco então todas as minhas palavras dentro desse Monjolo imaginário e fico ouvindo o som do martelo de madeira, impulsionado pela água, socar, bater e bater, transformando palavras velhas em novas, em pensamentos, em devaneios matutinos...
Apenas o Sol iluminava esse Monjolo, pela janela, pela porta sempre aberta, era feito de barro, pau a pique, ao lado margeava um pequeno fio de água, suficiente para impulsionar a roda de madeira...
Hoje o Monjolo que eu conhecia não existe mais, ele ruiu, só escombros, as intempéries e o descaso humano acabaram por colocá-lo abaixo...
A consciência aos poucos retorna, o Sol já quente ofusca a visão... Saio devagar, observo ao chão um desses bilhetes da Loteria Federal, impresso nele a seguinte mensagem:
- Homenagem aos 125 anos de nascimento do pintor, escritor e poeta Khalil Gibran
Incrível & surreal manhã ensolarada na periferia de São Paulo – O mestre Gibran morreu em 10 de abril de 1931, segue um poema seu:
"Ainda ontem pensava que não era"

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"
Kahlil Gibran
Retorno para a casa vitral, descanso, no final de tarde choveu, escrevo essas linhas tortas e vou publicar em Outras Andanças...Enfim, a caminhada, o sonho, o Monjolo, Palhaços & Khalil Gibran valeram a pena!
Foto: Monjolo - Marlene Kuhnen
Everaldo Ygor – 27.03.2008
Ao som de Múm:

terça-feira, 25 de março de 2008

SONHOS

Ao sonhar
Senti a brisa entrar por uma fresta
Quando você chegar
Sei que vai entrar sem bater
Suave vento movimenta

Entrando
Digo-lhe
- Pode sentar
Sentando
- Pode morrer

A brisa toda se espalha
Voa, flutua, senta...
Assim no repouso – sentado

Pode até morrer
*Rama - amaR

Assim no pouso – dos livros
Também estou morrendo
Saberei apenas
Que o invisível vento
Entrou por Amor
Sentou-se
E mais uma vez
Por Amor morreu
E assim ouso
No vento, na brisa
Entrando sempre sem bater
Saindo por frestas
Escrevendo futuros
...Morremos nós...
Renascemos Estrelas
Ao acordar.

*Dedicado ao magistral escritor, visionário & criador de mundos - Arthur Clarke
1917 – 19 Março 2008.
Everaldo Ygor – 20 até 24 de Março 2008.
Ao som de YO-YO MA
Foto: Michael Parkes

terça-feira, 18 de março de 2008

"MNEMOSYNE"

Mnemosyne

Musa das Musas
Dá-me o poder da vidência
Para que eu possa
Prever
Meu próximo
Verso

Clareia minha mente
Nem passado
Nem futuro
Apenas
Memória & Esquecimento

Vou até a Boca do Inferno
Na Boca
Beber das duas fontes
Lethe & Mnemosyne
Nos domínios Da Noite - Da Boca
Vou adentrar

Encantar

Não ao presente efêmero

( v a z i o )
Revela-se o passado
Revela-se o futuro
Morrem os dias

O Pensamento se esvai

E na égide de seu domínio
Nas esferas do além, da fantasia, da ficção
Um Sim da Poesia
Mas,

Não me lembro...
Mas, recordo-me
Penso que
Já esqueci.


Everaldo Ygor – 17 e 18 de Março 2008.

Ao Som de: Sigur Rós

quinta-feira, 13 de março de 2008

"MOVIMENTO"

Foto: Vladimir Kush

O movimento do Mar confunde...
Não sei se trás ou leva os sonhos
Tem um ritmo
Música desritmada ao vento
Não tem trajetória
Consomem os dias, as semanas – As horas
Tem Sal, encanto & gosto – Vou comer um pedaço do Mar

Querida sereia
Sozinha vive
A Vida retrai
És Minha viagem

Lado de lá
Festa de cá
Afinado está
Seresta no Ar

Tarde nas encostas
Arde o Sol em seu caminho - meu caminho - carinho.

...Silêncio temporal - Patente Poema
Quietude que me falta – Pestilenta Poluição
Irrefutável certeza – Que a orbe vai para o Ralo
Banal & Mortífero - Relutância
Inspirando Blasfêmias...

Desvendando Livros & Vôos
Janelas águas - Rios & Solos

- Mares, corpos e Lepidópteras
Poético Poente
Ouço uma flauta conspirar – Uma viola dançar
Caminho sob e sobre folhas secas - Secas
Ruídos
Sons - Estalos, estalos, estalos...
São tardes internas
Ouvindo murmúrios do vento
Fados a Tocar.

Everaldo Ygor - Março 2008.

Ao som de Dulce Pontes - Fado Mãe

...14 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA...


sábado, 8 de março de 2008

MULHER EM VERSO & PROSA

Mulher em verso & prosa para plantar
Poemas não colhidos
Recolhidos
Nascem inocentes
Flores
De Métrica & Rima
São sementes da voz do silêncio
Por tanto Ser mulher
Para tanto Ser mulher
Templos corpóreos
Desfolhadas, nuas - musas.
Quantas letras nessa vida
Foram perdidas
Esquecidas
Como mulheres em outro lugar...
Achadas em todo lugar
Proferindo Outras Palavras
Tem muitos nomes – Conheço alguns...
Hiato da vida – Raiz...
Em Lugar algum
Lugar comum
Raras como devem
SER
POEMA EM FLOR
SER
MULHER.

Esse poema é dedicado as mulheres...
Em especial as que ousam andar por aqui em Outras Andanças, pelo Mundo.
Participar, comentar & Amar
- Musas em minha Vida:
Raras como devem Ser...
Obrigado!
Everaldo Ygor
6, 7, 8 de Março
.:Dia Internacional da Mulher:.

Obra/Link: Mark Ryden

segunda-feira, 3 de março de 2008

ALMAS ORGÂNICAS

Orgânicos
Devaneios orgânicos
Pensamentos orgânicos
Da natureza selvagem
São Ficções orgânicas

De longas aventuras
Vulcânicas – Erupções mentais
Do coração
São Dúvidas reais
Do imaginário das ruas
Dos “passados”
Permeiam interiores do corolário

Seres noturnos & diurnos
Das noites uivantes
Livros em covas vazias - rasas
Tiram-me o sono na dicotomia de pequenas doses do dia.
Deixam-me a alma lama orgânica.

Vou Escrevendo sem Brilhantismo
Em busca de brilhantes almas
Brilhantes inteligências – mentes embriagadas
Buscando o som da sutura intermodal secular
Procurando...
Buscando
O meu Brilho
Pensa-se assim...
Encontro-me - Te encontro...
...Nas Mãos...

Everaldo Ygor
Fevereiro/Março

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COIVARA

FOTO: Everaldo Ygor

COIVARA

Ardor do Fogo
Queimou os vermelhos campos do coração
Fumaçou Outros Poemas
Em brasa o Arcanjo Índio observou

Lua Cheia de Instante Lucidez - Insensatez
O Tempo transpôs, tornou-se
Noites de Lua Minguante
Alumiadas pelo fogo - nuvens escuras.
Trovões & Raios
Fumaçou outras mentes
De cinzas quentes
Brasas cáusticas
De ossos envelhecidos - olhos enfastiados
Eclipsadas em Letras Ocultas
Saboreando Sortilégios Poéticos

São lápides de chama
Verticais – Horizontais
Fumaçou verdades perfídias
Vertigens & Depressões Sazonais
Matando a sede de Fogo & Cinzas

Sobraram apenas
Mandingas Antigas & Livros Velhos
A Minha, especial
Poesia Mineral...

Everaldo Ygor
Nos dias alheios de Fevereiro
Lua Cheia - Lua Minguante.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Quimera do Mar

Foto: Everaldo Ygor

Quimera do Mar
Um dia quimérico: O Mar sumiu...
Eu disse:
- Faça como o Sol, apareça!
O vento veio...

Outro dia o Mar desapareceu...
Eu disse:
- Faça como a Lua Cheia, apareça e ilumina!
Veio o Sol...

Dias outros, ele secou
Nem Sol, nem Lua, nem Mar...
Apenas o vento que vem do Norte
Via vento em meu olhar, seu
Via vento em minha face, sua
Movimento ar, armado, aéreo – vazio.

Uma gota do Mar salgado
Doce na face grita – aparece, escorre suave Mar adentro.
Ventos, pensamentos de que
Um dia estive no Mar
Mar de sonhos fixos, rodopios e lágrimas
Reles Sutis Salgadas...

Everaldo Ygor – Agosto/Setembro 2007

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LICANTROPO

Foto: Nabucodonosor (1795) - William Blake.


Licantropo

Encontrei com ele em minhas andanças nas variantes rítmicas de Fevereiro... Ao ver a fera, tremi e vibrei estarrecido, deixei cair na vala o livro que empunhava: O Lobo da Estepe, de Herman Hesse...
Monstro de poucas falas e faces, bons grunhidos e salivações. Proximidade nem pensar, abraçar poderia custar a vida. Era assim, taciturno, peludo, olhos vibrantes, cinza, garras na mão. Um exótico e raro exemplar de mamífero da face terra, de profundos interiores mentais.
Poderia Ser aquele monstro mítico ou aquela Besta-Fera das histórias antigas, mas não... Revela-se noite no mês que míngua.
Era real, ou quase isso, Bestial por natureza, com ar angelical, aspecto estranho e curioso de anjo barroco... Que Besta! Meio homem meio animal, meio nada, uma Fera completa - qual parte sobressai no Ser, o Homem ou o Animal?
Salivando e observando tudo em noite de Lua cheia, era pesado demais, deixava marcas por onde andava, por onde arrastava a sinuosa cauda. Deixava um rastro de pêlos por onde passava. Medo impregnando as andanças da Fera transformada. Contradição perene disforme & andante da natureza.
Noites longas para sua monstruosidade, para urros noturnos, longas garras esperando pela próxima vítima, esperando em becos de tocaias urbanas, ruas de pura licantropia, bestialidade em todos os abrigos, pêlos elétricos e ouriçados com cheiro de fungo.
Como escapar do escopo das coisas, dos rastros, das Bestas, de espelhos de sombras...
Fazendo uso indiscriminado da arte do chavão e do clichê Bestial, ao caminhar encontrando espelhos em cacos e faces disformes. Só em retalhos dispersos, observo afetuosamente o reflexo oculto recortado, percebo bem que a Besta-Fera... – O Licantropo Urbano não passa de:
Eu mesmo!
Everaldo Ygor
09 & 10 de Fevereiro 2008.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ungido pelo Santo óleo da Cachaça

Foto: Les Très Riches Heures du duc de Berry Février.

Crônica dos Dias
Nos dias de cada artesão da palavra, uma falange de anjos & demônios zombeteiros passeiam dentro e fora da mente criadora. Na alegria e na tristeza ponho-me a dissertar sobre densos pensamentos, mares de lágrimas e mucosas do mês de Fevereiro. Procurando as nascentes de poesia.
Ungido pelo santo óleo da cachaça vou escrevendo os dias, cada dia sufocado pelo próprio ar, pelo espanto, pela visão lendária. Tomo desse ungüento até o dia clarear, com a esperança insana de bordar palavras em sedas claras no meu santuário sagrado de aniversário.
No auge da embriaguez poética, é possível sonhar em ver vidas e pensamentos através das tuas...
Infinitos horizontes claustrofóbicos, cheios de certezas e dúvidas, é possível ver as cores vibrantes do pensamento, nessa vigília insana eu vou, marcado pelo Arcano 22 do Tarô - O Louco. Errante peregrino vai a passos lentos, pensamento noturno de jardins do céu cada vez mais longínquos. Cambaleante artista artesão da sugestão.
Os matizes são reluzentes, porém não alegres e sim entregues, despojados das folhas em branco, das roupagens frias, emitem ecos de luz no lugar de som.
A vontade é soberana em permanecer dentro do ungüento, impele a vomitar uma seqüência frenética de palavras desconexas. Exorcizando o Arcano 22 em direção ao Mar. Os matizes pegam fogo, versos em chamas com a voz apartada da palavra final. Míope vista que não enxerga o Mar salgado, mas sente a maravilhosa lufada da brisa bendito-maldita. Desperto ao teu redor, redor de versos becos molhados, solares distantes, transpassando os horizontes agora sem ungüentos mágicos, apenas com o Máximo devaneio do doloroso e sepulcral despertar tal qual a insuportável leveza da pena.
Toda essa dissertação desencadeia uma tempestade magnética de pensamentos, ativação mental de ventos da discórdia, relembrando chagas lacrimais. Supremo é o Ser Louco completo em sua plenitude e saber, sem rimar com a vida toda, sem ritmar, sem fronteiras & sem vergonha.
A voz vaga passeia pela via, ascendendo velas, incensos e pagando promessas pelo despertar, pelo paraíso infernal de venturas e suspiros. Que eloqüência errante e sublime essa de dissertar devaneios tão sem sentido, são espelhos oblíquos, iluminados nos dias de Fevereiro.
Everaldo Ygor
03.02.2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Apocalyptica

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Invernada Verão

Crônica - Invernada Verão
O verão virou inverno, deixou de acolher as vozes de ternura e poesia. Escureceu deixando de projetar as cores inquietas.
São poucas as nuvens que rasgam...
No silêncio do vento que vem do norte, tento decifrar essa linha tênue e fria que vai até o coração. Sinto que o Sol está lá escondido, fugindo da chuva cinza. Assim a chuva acida não vai arder em chagas reabertas. As palavras íntimas pedem recesso aos olhos comovidos, pois tiveram presença na desesperança da guerra. Os olhos estão secos, sem lágrimas, míopes diante tamanha invernada. Fico sem ansiar pelo anoitecer, muito menos pelo amanhecer, caminho apenas em superfícies mornas sonhando com gestos íntimos de poesia livre.
Ávido é o desejo por um novo coração, nova canção, livre da empunhadura de botas, fuzis e capacetes, espírito novo e purificado, fecundo de novas criações. Para essa estação, minha oferta do dia é um chá de Jasmim, vai acalentar esse inverno, líquido quente que me enternece o chegar, espalha perfume de flores e cores, faz minha voz transpor sombras, olhares, ilhas e fugas.
Sem consciência do que tenho sido, conquistado e imediatamente perdido. A virtude fria de cada manhã faz humilde e trêmulo o Ser que empunha o coração, ás vezes definha, mas mantém o punho cerrado diante o destino dessa invernada. Violento é o tempo que faz dilacerar as próprias palavras, inesgotável fonte temporal, insensível desgasta tudo, versos, Seres e até o inverno rigoroso. Para sair desse frio intenso, só lajeando o ardente Inferno de Dante, lá nem o aço, nem o ferro, nem o coração, nem os dias resistem. Amarga constatação, que recolhe em quimeras frágeis cada olhar. Colhe o soluço frio dos que sofrem. Faces geladas, oprimidas talvez, solitárias gélidas, impedidas de voar. Lírica é a palavra que é caminho, sonho, ternura e vastidão. É poesia!
Na mentira dessa verdade plena, fica o desabafo livre de verão inverno, instante adormecido na invernada que jaz imersa em montanha de gelo ancestral.

Everaldo Ygor
30.01.2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Crônica dos Dias cingido com John Coltrane ouvindo a chuva...

Foto: Everaldo YgorCrônica dos Dias cingido com John Coltrane ouvindo a chuva...
Em Sampa já fazem dias que a chuva não para, parece até Macondo da obra Cem Anos de Solidão do mestre Gabriel Garcia Márquez. Dias para se apreciar o Jazz, MPB antiga, bons Livros, fazer Poesia, fotografar a chuva e a Saudade. Escrevendo, preenchendo espaços brancos, vazios sem linhas sem luzes. Missivista dessa intempérie me tornei colocando olhares e lábios diante a precipitação.
Saio na chuva para sentir as primeiras águas, vão aguar meus pensamentos, minha infância perdida, vai inspirar ou transbordar a mente vazia... Depois espiar calmamente pela janela vitral a névoa, a chuva e pessoas caminhando rápido no asfalto. Algumas transpiram gotas, outras recebem livremente em sua face morna gotas serenas. Lento prelúdio de gestos em flores. Nenhuma revoada de pássaros, nem Sol, completando assim o quadro bucólico dos Dias degustando um bom vinho ao som do fraterno Coltrane.
Essa chuva vai regar novas idéias, lavar vaidades, dar vida ao mundo dos vegetais, encher Rios e Mares, alimentar sonhos... As árvores parecem preguiçosas nas calçadas e praças... Mas, não vai regrar a Poesia. Vou viajar na vastidão dos olhos, na imaginação lírica de constelações de palavras e corpos de caminhos inquietos ao som da chuva.
Fazer uma poesia, sem toda essa melancolia, fazer cigano de mim mesmo, navegar na cheia de pensamentos, criar algo novo/velho sem amarras ou grilhões... No transcorrer desse tempo, de batidas fatídicas do coração. Experimento sabores cítricos de beijos, as cantigas de Amor vão tilintar junto aos pingos da chuva, ora fria, ora quente, mas que bela chuva! A Noite a Lua vai Encher, mas só as Nuvens vão contemplar.
Nesse meu hermetismo clássico vou escrevendo envolto ao eterno jogo lingüístico da adjetivação, do simbolismo, da música, da rima e da métrica - definitivamente sem os dois, das palavras concretas, surreais.
Quero Ser um trovador mambembe de folhas em branco, pálidas tépidas. Procurando o porto da calmaria, próximo das corredeiras, procurando expor sentimentos, encontrando poemas perdidos empoeirados, em porões bem fechados. Difícil Arte de narrar pensamentos sem sabedoria alguma, mas com a Sensibilidade de sutis indolentes gotas de chuva, nas imagens sufocantes do Portishead.
Passam nuvens rápidas - Águas livres vão desaguar.
Quando o Ser e sua folha já rabiscada se molharam, entornaram na alegria efêmera, o espírito foi lavado, Seu pensamento era único, um Sonho de um dia deixar de Ser uma cópia Xerox para se tornar uma Folha de Papel
Original...

Everaldo Ygor
18,19,20 e 21.01.2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"Deux Ex Makina"

Foto: Everaldo Ygor
Ela apareceu
Entre Ruínas caminhou
Bata Branca Florida
Tênis roxo andante
Saia Jeans Azul, Bordados Dourados, dourada.
Reapareceu

Caminhou onde Povos desapareceram
Na ponta da Lança
Com Fogo entre as Pernas
Extintos foram
Descendentes sobraram
Procurando & Fotografando almas perdidas...
Auto-encontrou o autoconhecimento
Pereceram
Lembrança teve de Arrazoar com Ele.
Emudeceu
Instintos Medos
Guerreou com Astros Cálidos
Dúvidas de Poemas Inacabados
No Fastígio Teve um Segundo de Paz.
Deux Ex Makina


Poema de 2006
Revisado Dezembro 2007
Fusão de dois Poemas/Foto em Janeiro 2008
Everaldo Ygor

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vida Simples e Distorcida

Foto: Everaldo Ygor
...Eu
Tu Ele
Nós
Vós Eles

Posso falar, andar e até correr... Ir ao cinema ou teatro.
Escrevo mau e mal o Inglês, conheço uma dúzia de citações em Latim. O Português, modestamente pesquiso meu idioma e língua. Entendo o Espanhol, viajo por ai. Comer, beber, sobrecarregar o corpo e mente de gorduras, ácidos graxos e todo tipo de lixo industrial. Beijar, pintar, abraçar e Amar, sexo e álcool em ciclos de caos. Posso até contar:

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Mais tarde ir ao banheiro.
Somar, dividir, multiplicar e subtrair, pensar e sonhar. Plantar uma árvore, soltar uma pipa e navegar na Internet. Pescar e nadar, sair da cidade ir até o campo. Falar com amigos, família, brincar Ser criança.
Respirar, ler, contar histórias, escrever livros e até fazer poesias. Trabalhar-envelhecer. Fazer Yoga e meditação. Escolas, cursos e Universidade. Prossigo Adjetivando tudo, textos e vidas. Admirando o poente, o firmamento, tirando fotos... Com Saudades Plenas da minha Musa Poesia, de Cidades onde não estive e de pessoas que nunca vi.

Cantar/gritar/rir/chorar.

Transformo-me no Fiel da Balança
Nas andanças vou desequilibrado na Corda Bamba
Trilhando sempre o Fio da Navalha...
Sou assim; sobrevivente sobre Mil Platôs dentro do Capitalismo e Esquizofrenia...
Vivendo durante dias, morrendo durante tardes noites, e no tempo seguinte, renascendo sempre até o ciclo

Falhar e o espelho se quebrar...

Dançando com o universo colorido da mandala alada distorcida.
Na breve existência da Auto-Ilusão...

Everaldo Ygor
Dezembro 2007 – Janeiro 2008.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

VINHO SANGUE

Foto: Everaldo Ygor
Manto vermelho sangue
De vinho em elípticas transparentes
Fogo ao fundo
No findar de mais uma noite
Adivinho o destino.

Mão toda nua
Circunda o manto
Na égide da Lua
Mergulho nas cores difusas
Pulmão de fumaça nua

Circulares poentes, amarelados poemas
Disfarce poético de
Sabores frutados e festas noturnas
Luz de velas, sons aveludados de instrumentos de cordas.
Vozes perdidas escondem desejos
Raízes profundas liberam desejos
Do labirinto vermelho
Nascem
Figuras espectrais dentro e fora do copo

Projetamos o medo do futuro
A doce ventura do vinho tinto seco
De um tempo vivido
Um tempo por vir
Contemplo o tempo cristalino
Em aromas poentes.
Na aurora sensível vinho sangue.

Everaldo Ygor
Janeiro de 2008.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Novo Ano - 2008

Convidados Especiais...
Em 2008 o dia nasceu assim...


Fogo na virada
Queimando vaidades
Dando esperança
Iluminando caminhos.