quarta-feira, 29 de agosto de 2007

...Conto Noturno...

Conto Noturno....
Caminhar na mata é absolutamente belo... Sem topar com o Concreto Armado calibre 45. Na laje recordava caminhos, andanças... A fumaça densa do fumo baunilha do cachimbo artesanal de bambu planava no ar, fazendo curiosas elípticas perpendiculares a Lua quase cheia... O pensamento abstrato misturava o agradável e denso aroma. O perfume passeava pelos telhados, lajes e pelo asfalto, misturando-se ao CO2 de poucos veículos transeuntes... A mente era êxodo em direções opostas às poucas nuvens que resistiam no firmamento, as estrelas menos ofuscantes, a Lua majestade era Luz nesse dia noite... Fumaça autóctone de lugar algum. A cadeira balançava no ritmo da fumaça encorpada, ao que parece a fumaça não só acalma ou entorpece as abelhas, os humanos sentem seu efeito mágico denso orgânico... Decolagem suave ao inconsciente, além do vôo mental, além da noite que começa a ficar fria... O vento dispersa minha fumaça, minha meditação, vapores existenciais vão, fixa minha atenção em movimentos vizinhos, fixa em mim... Olhar fixo nas cercanias. Ao meu lado repousa quase vazia a lata de cerveja preta com sabor de café com leite. Sons de latidos próximos... Disperso observo nuvens acinzentadas cobrirem parcialmente o Luar... Cubro-me com a velha manta vermelha e preta manchada pelo pó da estrada de antigos acampamentos, estradas... A Luz fraca da cobertura, ilumina diretamente a página 47 do livro -Absinto de Christophe Bataille... Finjo a leitura para mim mesmo, disperso totalmente. Trago a fumaça densa para os alvéolos interiores, tossidas ásperas como a trovoada seca... Ar rarefeito saliva breve. Ecos nesse não silêncio noturno. Volto ao meu centro, leio infinitamente os próximos capítulos, crio os meus próprios, torno-me o missivista local, levanto, a manta cai, caminho em direção a escada, desço... Anoiteço, na manhã seguinte, recolho os meus pertences na laje, cadeira, latas, anotações, cachimbo, manta, fósforos, memórias, livros e a saudade lida, espessa da noite Lua anterior...
- Everaldo Ygor - Na Casa Vitral - 2007.
* Revisão da Marrr...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Olhares...

Olhar
Em ti
Andar e sentir entre todos olhares.
Desabrochar
Em você
Declamar Poemas de ti em vocês.
Graça!
De Ter notado no olhar, declamado poesias de vocês em ti.
Experimentado poemas meus.
Segredando entonações, olhares e poemas dos seus em você.
Everaldo Ygor
Qui sono e qui resto!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O Alienista - Machado de Assis em quadrinhos...

O Alienista - É a versão em quadrinhos para a novela do Machado de Assis, feita pelos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, do fanzine 10 Pãezinhos. O texto de Machado serve de base para a condução da HQ. Mas é na arte de Moon, pintada em tons de sépia, que a edição ganha seu charme. Bá e Moon são excelentes ao desenhar, e isso que é fundamental pro Machado, rende um resultado sensacional. A história do mestre Machado de Assis sobre Simão Bacamarte e suas experiências científicas em Itaguaí. Uma obra que transcende o tempo, agora contada numa primorosa Graphic Novel, roteirizada e desenhada pelos gêmeos que estão conquistando o mundo com suas histórias em quadrinhos.O lançamento é da Agir...

domingo, 26 de agosto de 2007

Luzeiro

Luzeiro
Fagulhas cintilantes
Passaram sob e sobre a fogueira
Saíram dançantes salamandras
Cromossomos voadores
Vivos, leves em ar
Espíritos elementais rarefeitos
Da Lua quase cheia
Ilumina!
Fogueira Azul
Pinha queimada, eucalipto incandescente.
Ilumina!
Fumaças densas voadoras.

De sua quase presença...
Everaldo Ygor
22.08.2007 - Nazaré Paulista - Sitio Quatro Irmãs.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Nâzim Hikmet

O poeta turco Nâzim Hikmet nasceu em 1902 na Salónica (na altura, parte do Reino Osmânico) e morreu em Junho de 1963. Passou praticamente toda a sua vida na prisão ou no exílio e a sua poesia é lida em todo o mundo... Sem dúvida, é um dos mais belos e sensíveis poetas que já apreciei...

“O ar está pesado como chumbo – Eu grito, grito, grito, grito – Estar preso, não é esse o problema – Trata-se de não entregar os pontos...”

...O espelho encantado

Praga é um espelho encantado


Ao olhar-me nele


Encontro os meus vinte anos


Sou como um salto em frente


Sou como trinta e dois dentessem cárie


E o mundo é uma noz


Mas não quero nada para mim


Só a mulher que amo


A tocar os meus dedos com os seus


Que abrem todos os mistérios do mundo


As minhas mãos partem o pão pouco para mim


Muito para os meus amigos


Nas aldeias da Anatólia beijo olhos que sofrem de tracoma


E chego algures a terra distante


Para a Revolução mundial


Trazem o meu coração num coxim de veludo


Como se fosse a ordem da bandeira vermelha


Uma fanfarra toca a marcha fúnebre


Sepultamos os nossos mortos junto de um muro


Sob a terra Somo sementes fecundas


E as nossas canções estão escritas na terranão em turco, russo ou francês


Mas em cançonês


Lenine está acamado numa floresta com neve


Franze as sobrancelhas


A pensar em alguém


Olha até ao fim das trevas brancas


Vê os dias que hão de vir


Sou como um salto em frente


Sou como trinta e dois dentes sem cárie


E o mundo é uma noz


Com uma casca de aço


Mas inchada de esperança


Praga é um espelho encantado


Olho-me nele


Mostra-me no leito de morte


A testa alagada em suor


Como se a cera da vela tivesse gotejado


Os braços ao longo do corpo


A tapeçaria verde


E pela janela


Os telhados cobertos de fuligem de uma grande cidade


Esses telhados não são os de Istambul


Os meus olhos estão abertos


Ainda os não vieram fechar


Ainda ninguém sabe Inclina-te para mim


Olha nas minhas pupilas


Verás nelas uma mulher jovem


Na paragem do eléctrico à espera à chuva


Fecha-me os olhos


E em bicos de pés

Sai do quarto, camarada...
Nâzim Hikmet (Tradução de Rui Caeiro) Edição & etc (2000) Capa de Carlos Ferreiro
Edição de Portugal.
http://www.nazimhikmetran.com/

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Iracema uma Transa Amazônica

Mais uma solicitação atendida, foi pedido uma indicação ao Outras Andanças de um "Filme Cult"

Segue minha indicação...
Premiações- Em 1975 foi considerado o melhor filme em exibição na Europa. Ganhou entre outros o "Prix George Sadoul" (Paris), o "Adolf Grimme Preiss" (Alemanha), o "Encomio Taormina" (Itália) e o "12º Reencontre Film et Jeunesse" ( Premio Especial - Cannes Melhor Filme 78 - ACCMG). Em 1978, a Associação de Críticos Cinematográficos de Minas Gerais, o elegeu melhor filme do ano, durante uma mostra de filmes proibidos e a última premiação foi de melhor filme, melhor atriz (Edna de Cássia)e melhor coadjuvante (Conceição Senna) no Festival de Brasília em 1980.

Curiosidades- O filme foi liberado sem cortes em 7 de novembro de 1979 por decisão do Divisão da Censura, Sr. José Madeira. Depois de uma discussão, em que se duvidou até da nacionalidade do filme, vem a luz da exibição comercial a primeira obra de um gênero não tão incomum, o documentário - ficção.- Proibido no Brasil desde sua realização, em 1974, foi exibido em diversos países da Europa durante os anos em que esquentou as prateleiras da Censura. - Exibido clandestinamente em 1978 numa mostra de filmes proibidos, em Minas Gerais. - O filme foi lançado em circuito comercial no dia 30 de março de 1981 nos cinemas Caruso, Rio, e Cinema1 em Niterói. - Em 1981com 21 anos, descoberta pelo diretor num programa de auditório a atriz do filme Edna de Cássia é uma lavadeira e vive na mais extrema miséria num cortiço de madeira em Belém, onde luta com dificuldade para criar seu filho de 3 anos de idade. Edna Cereja, esse seu verdadeiro nome vive na vida real a miséria que representou no cinema. Para ela, o sonho de ser atriz acabou quando terminou o filme. - (...) Infelizmente, com um atraso que o prejudicou, cinematograficamente o filme foi vulnerado pelo tempo. Fazer Iracema em 74 representava, de fato, grande risco. Mas hoje o objeto de sua denúncia deixou de ser prioritário na escala de preocupação dos brasileiros. Mas a verdade é que embora padeça de falsa espontaneidade na encenação de sua denúncia, e seja esquemático na analise dos fatos, "Iracema" tem garra sociológica. E consegue traçar com inequívoca sinceridade um painel da pobreza de uma população que ficou à margem da História (...) (crítica da época de José Carlos Monteiro no O Globo em 31 de março de 1981) - Sinopse completa:O filme é na realidade um auto-retrato da população da Transamazônica. Retrata realisticamente os problemas da região. Conta a história de uma menina do interior, que vai a Belém com a família para pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as companhias que encontra levam a menina à prostituição. Conhece num cabaré um motorista de caminhão Tião Brasil Grande, negociante de madeira. Influenciada pelas outras prostitutas ela quer ir para os grandes centros ( São Paulo e Rio) e pega carona com o motorista. Saem pela Transamazônica, testemunhando toda a espécie de acontecimentos e dramas que a construção da estrada impôs aos habitantes locais. Abandonada pelo motorista num bordel à beira da estrada, a jovem se vê diante de uma realidade cada vez mais chocante e decadente. Vale ressaltar a presença de Paulo César Pereio...

domingo, 19 de agosto de 2007

Cora Coralina


Cora Coralina

Leitura Recomendada.
Primeira obra publicada pela Autora, reúne os Poemas que encantaram Carlos Drummond de Andrade: "o Livro é um Encanto, seu Lirismo tem a Força e a Delicadeza das Coisas Naturais. Da Alegria na gente saber que Existe um ser chamado Cora Coralina".
Uma sensibilidade indescritível. Somente lendo para sentir na alma a nostalgia encantadora colocada de forma tal que nos remetem ao passado... Construídos em versos belos, soltos, da existência, da vida, dos becos das Cercanias de Cora Coralina... É ela a própria legenda de uma época e de uma história: de um quase-século de vivências poéticas do mais puro dos Brasis, o Brasil do Interior, Brasil Central, Brasil-Coração. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas (1889-1985), Cora Coralina...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Elvis Presley...

Elvis Presley

Fãs de Elvis enfrentam calor forte e fila para homenagear ídolo
MEMPHIS, EUA (Reuters) - Milhares de fãs de Elvis Presley, muitos carregando fotos do cantor, enfrentaram calor sufocante para passar pela casa em que Elvis viveu em Memphis, na quinta-feira, para lembrar o 30o aniversário de sua morte.
Os fãs começaram a fazer fila na noite de quarta-feira para caminhar pela residência de Elvis, Graceland, e passar diante de seu túmulo, numa vigília à luz de velas que se estendeu pela quinta-feira.
A homenagem anual aconteceu em meio a uma forte onda de calor. A temperatura em Memphis passou dos 38 graus centígrados.
O calor forte teria provocado oito mortes na região, uma delas de uma mulher de Nova Jersey encontrada morta numa barraca onde acampava perto do Heartbreak Hotel, ao lado do Elvis Presley Boulevard.
Autoridades de Memphis estimam que a vigília, os shows e seminários organizados pela Elvis Presley Enterprises, a firma que controla o espólio do cantor, atraíram cerca de 75 mil pessoas à área para a "semana Elvis".
Na quarta-feira, Mike Meridian, de Houston, guardava um lugar na fila para sua mulher, Shirley Roberts, que vai a Graceland homenagear Elvis todos os anos desde 16 de agosto de 1977, quando Elvis morreu repentinamente aos 42 anos de colapso cardíaco depois de enfrentar problemas de saúde que incluíam aumento de peso e dependência de medicamentos.
Perto de Meridian, um cartaz pintado à mão em cor-de-rosa pregado ao muro de Graceland dizia: "Sempre amarei Elvis". Outro, em cor de laranja, dizia "Elvis = Paz Mundial".
Dentro do centro de visitantes, com ar condicionado, sósias de Elvis comparavam seus figurinos. Barracas de suvenires vendiam camisetas comemorativas do aniversário.
A primeira vigília à luz de velas começou como homenagem improvisada dos fãs, que Elvis frequentemente saudava diante dos portões de Graceland no início de sua carreira.
O evento cresceu desde que, em 1982, a ex-mulher de Elvis, Priscilla, assumiu controle de seu espólio e abriu a mansão para receber turistas.
Graceland atrai cerca de 600 mil visitantes do ano. É a segunda residência mais visitada nos EUA, perdendo apenas para a Casa Branca.
A Semana Elvis será encerrada na sexta-feira com o primeiro concurso de sósias de Elvis sancionado pelos herdeiros do cantor.
O vencedor do concurso ganhará 15 mil dólares e a oportunidade de trabalhar com a Elvis Presley Enterprises.
Fonte: © Reuters 2007. All Rights Reserved - Kevin Krolicki

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pequenos Poemas

Poemas pequenos são como coisas minúsculas
São breves como a vida...
Longos como o vendaval
Diminutos minutos que passam logo
Rápidos, sem objetivos atemporais
Vagos, pequenos sons poemas.
Sínteses limítrofes
De Poemas ângulos
Segundos...
Everaldo Ygor - 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

RONDÓ DA LIBERDADE - Carlos Marighella

RONDÓ DA LIBERDADE

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para
escravo, mas há os escravos que se
revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a
ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem
quebradas.

É preciso não ter medo.
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante
Nenhum obstáculo, e pode mesmo
existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que
houver de mais livre em todas as
gamas do sentimento humano.

É preciso não ter medo,
É preciso ter a coragem de dizer.

Carlos Marighella – Cartilha Marighella Vive – MST – 1999.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Na minha geladeira tem...


Andei recebendo emails estranhos, resolvi responder um deles...
É isso que você encontra na geladeira de Outras Andanças...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"Contos Girassóis"

...Pôr do Sol na borda da cachoeira girassol. Eu ando sobre uma encosta de chamas mágicas que se inclina para o fio de água... Ainda observo o Sol brilhando intensamente sob e sobre mim. Nuvens estão navegando no céu azul, flutuando no ar deslizando alto baixo sem fim. Árvores e pássaros de cores vivas rondam com alegria, exibem sua glória Sol
antes da vinda da noite, o Sol reina Girassol, gira na luz do dia aguardando noite.
Ela escura espera a claridade da Lua Cheia. Uma suave incandescência de fogueira e brasa no final astral, a fumaça é levada ao vento, ouço o bater das asas da ave noturna ecoando no matagal. A flecha incandescente fogo água tem seu reino salamandra ondina em tempo. Nuvens que eram brancas tornaram-se invisíveis, reina então as estrelas. Renascendo o luar de mistérios poemas, mas não desespere,
a noite terá seu fim...
Com o raiar de um novo velho dia e nossas vozes no eco de nossas poesias...
Everaldo Ygor
Contos Girassóis - 2006/2007.

domingo, 12 de agosto de 2007

YouTube é a palavra mais pesquisada...

YouTube é a palavra mais pesquisada pelos portugueses. O portal de alojamento e partilha de vídeos na Internet foi o endereço mais procurado durante os primeiros meses do ano, revelou o estudo Netpanel da Marktest.
De acordo com os dados divulgados, entre Janeiro e Junho deste ano, 432 mil portugueses pesquisaram, a partir de casa, a expressão YouTube, o que corresponde a 14,3% de todos os internautas nacionais.
No segundo lugar no ranking das pesquisas, está a rede Hi5 com 398 mil buscas seguida do serviço de correio do Google, Gmail, pesquisado por cerca de 336 mil utilizadores únicos.
No restante top dez de palavras mais procuradas na net em Portugal incluem-se ainda Wikipédia, jogos, Google, Hotmail, Sapo e sexo.
Bom, está faltando nessa estatística ai o Blog Outras Andanças... ;-)

Tarefa de Domingo...


sábado, 11 de agosto de 2007

Obra de William Blake


A galeria virtual da British Library.
Site em Inglês, da Biblioteca Britanica com muitos manuscritos classicos originais...
Leonardo da Vinci, Mozart e William Blake entre outros...

Em destaque a obra do genial William Blake - The Notebook of William Blake
Copyright © The British Library Board

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Cecília Meireles

"Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."
Cecília Meireles

“ABSINTO”

...Foi um inverno doloroso. O ar era seco e o vento dançava na planície. A neve cobria tudo; erguia-se em alguns pontos ao longe. Às vezes, iluminava-se ao sol pálido.
A escuridão descera entre as ribanceiras do Cluse. Era como um longo sono, e até o dia parecia de pedra. Quando havia uma vela, sua chama despertava loucos volteios na neve. A pequena tropa se reunia em torno do canhão de oito. O silêncio reinava. Só se ouvia um sopro baixo, lá perto do horizonte. A chama, fria e branca, flutuava, suspensa. Prendia-se a respiração. As paredes de gelo rangiam sob o próprio peso. Todos aguardavam o momento em que a noite viria engolfar-se no labirinto e apagar a vela. Como num jogo de azar...


Do livro: “ABSINTO” de Christophe Bataille. Editora Contraponto.
Por Everaldo Ygor.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

...PORONGO...

PORONGO
Porongo – P.o.r.o.n.g.o - POR-ONG-O
Porongo é pé de cabaça
É vaso e planta!
Populares ares – Nortes e Nordestes
Sul e Leste
Trepadeiras eruditas ditas
Mulheres vasos porongos.
Homens de cabaça vazia, cabeças.
Cabaças receptáculos vazios
Devastadas, extintos tintos, porongueiros
Plantas no vaso porongo - Põe logo!
Planta logo...
Por-ONG-o.
Everaldo Ygor – 08.08.2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Viagens e Projeções...

Igreja dos Prazeres
Milho Verde - MG



Foto Igreja de Milho Verde, largo do Rosário.

Projeção de Filme - Projeto Cine do Campo

Milho Verde - MG
Saudades...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Eagle's nest by Ben Goossens


Ben Goossens

Para uma breve viagem

Visite o link e aprecie...

Em beijo!

Everaldo Ygor.

Falas...

Falas...
Existem outras poesias
De falas e horas
Existem seres sós
Só de alma e prana
Somente só... Mente plena ao Sol.
Viajar só é assim
Ver só é assim
Se, Ser é assim
Tem sempre alguém
Alguém que é alma
Que Ama
Que não é só lama
Se for assim
Existem outros poetas
De falas e horas...
Everaldo Ygor
Paraty – 22.11.2003

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Bocas

Bocas
Eu vi uma boca, senti veludos agudos quentes...
Cavidades Inferiores
Abertas Superiores
Lábios
Sucção
Língua!
Vivas Fotos - Cores Branco e Preto
Carnudas, falantes luxuriantes, sons.
Gesticulam acima e abaixo... Beijam sugam... Língua!
Mexem, remexem...
Resvalam acima e abaixo e ao lado supremo...
Sussurrando salivas ébrias ardentes
Quentes sussurros – Urros!
Fumaças brisas
Sabores, bocas, fluidos...
Sorvendo
Falando
Poetizando
Abertas super inferiores... Boca.
Everaldo Ygor
31.07.2007

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Sol


O Sol é o centro
Luz
Vida – calor.
Egos Sóis Centrais
Diatônicos
Distante
Um dia
Morre.
Everaldo Ygor
Janeiro de 2007.
ओ सोल é ओ सन्त्रो लूज़ विदा – कलोर. एगोस सोइस सन्त्रैस Diatônicos दिस्तानते उम डा मोर्रे. एवेराल्दो य्गोर्जनेइरो दे २००७.

"VIAGEM"

VIAGEM
Viagem...
Amanhã vou até a fonte
Amanhã...
outra vida
Nesta manhã a fonte vem até mim
Nesta manhã vou te contemplar...
As borboletas vão voar...
Viajar para uma nova fonte
Viajar para um novo amanhecer...
Do teu lado vou existir,
Do teu corpo vou renascer...
Um abraço sem beijo
Um afago sem abraço
Desejos e saudades do seu vôo...
da boca que fala,
que beija,
que diz adeus...
Viajo, anoiteço,
navego em seus pensamentos...
Encontro seus lábios, são minhas páginas...
Encontro seu corpo, é minha escrita
Encontro o caminho, rumo para a eternidade...
Viajo...
Encontro você e me encontro...

Everaldo Ygor - 2005

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Lin Yutang

"Creio que, sob o ponto de vista biológico, a vida humana é quase como um poema. Tem seu ritmo e sua cadência, seus ciclos internos de ascensão e declínio. (...) Deveríamos ser capazes de sentir a beleza deste ritmo da vida, de apreciar, como fazemos nas grandes sinfonias, seu tema principal, seus acordes dissonantes e a resolução final. (...) É curioso que Shakespeare não tenha sido nunca muito religioso nem muito interessado pela religião. Creio que esta foi a sua grandeza; tomava a vida humana quase como era, e se intrometia tão pouco no plano geral das coisas como nas personagens de suas obras. Shakespeare era como a própria Natureza, e este é o maior elogio que podemos fazer a um escritor ou a um pensador. Não fez mais que viver, observar a vida e retirar-se."(Lin Yutang)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

HAI KAI

...Sol lá fora
Fora Fria Flora
Fora o Sol está...

Everaldo Ygor – 2007.

terça-feira, 31 de julho de 2007

OLHAR DE ESFINGE

OLHAR DE ESFINGE
Sonho com seu olhar de esfinge,
e de vez em quando...
Surge-me nos lábios o som do beijo...
Ri... E observa o senhor do tempo
e de vez em quando...
Ouço e acho graça...
Bebo desse vinho branco e tinto e me embriago.
Mas... Não me abandono, regresso e o mundo está lá...
E me ligo ao belo. Afago a vida e o braço animoso...
Morro nos lábios,
e a cada segundo espero a eternidade desse tempo para
renascer...
Pessoas, as vejo em todo lugar,
gente, as vezes encontro com olhar de esfinge...
Ela é só enigma e eu observo oculto
Sonho e vejo a alma solitária
Ando e vejo a morada
Navego entre seus lábios carnudos e afago os montes
A luz vem e aos olhos ilumina, saudades da penumbra
juntos a alegria, a rosa e o tesão de corpos sobrepostos
e quentes...
Me apaixono e morro, um sorriso, um renascimento...
O corpo a mente um olhar e não te abandono...
Quero mais, um pouco de brilho eterno!
No memento nada mais é meu...
Sou seu, sou vento, lá vem o som da cachoeira...
É branco e deixa marcas, arranha a face e afaga...
A flecha passa de lado a lado e o sono também
Logo desperto e amanheço
E tenho a sensação de emitir luz
Que ilumina a esfinge...
Que ilumina o caminho...
Que ilumina nós dois...
Everaldo Ygor - 2004.

Morre aos 94 anos o cineasta Michelangelo Antonioni

Morre aos 94 anos o cineasta Michelangelo Antonioni
Antonioni: o cineasta dos problemas e angústias do homem moderno...
O diretor de cinema italiano Michelangelo Antonioni, conhecido por sua ruptura com o neo-realismo italiano em filmes que representavam os problemas e angústias do homem moderno, morreu na segunda-feira em Roma, aos 94 anos.
A carreira cinematográfica de Antonioni, onde destacam os bons retratos sociais e do interior humano, inclui diversos longas e curtas-metragens.
Antonioni recebeu vários prêmios internacionais, entre eles o Oscar pelo conjunto da obra (1995), a Ordem Legião de Honra da Francesa (1996) e o Prêmio Félix de Academia Européia de Cinema (1993).
O diretor, roteirista e crítico de cinema italiano nasceu em 29 de setembro de 1912 em Ferrara, no norte da Itália, em uma família da alta burguesia.
Começou a carreira escrevendo críticas de cinema nos jornais Il Corriere Padano e L'Italia Libera, em que atacou o cinema fascista de Mussolini, e colaborou com a revista Cinema, de Roma, onde morava desde 1939.
Na capital italiana, Antonioni cursou cinema no Centro Experimental, um dos focos de resistência intelectual ao fascismo.
Suas primeiras experiências práticas no cinema se iniciaram em 1942, como co-diretor do filme Un pilota ritorna de Roberto Rossellini, e de I due Foscari de Enrico Fulchignoni, e como assistente de Marcel Carteira em Os Visitantes da Noite.
Antes da queda do fascismo, rodou o primeiro curta-metragem, A Gente do Pó (1943), que concluiu em 1947.
A "estréia" na direção foi em Crimes da Alma (1950), ao qual se seguiram os longas-metragens Os Vencidos (1952), A Dama sem Camélias (1953), Tentativa de Suícidio (1953), As Amigas (1955) e O Grito (1957).
Em 1960 rodou A Aventura, Prêmio da Crítica do Festival de Cannes e filme que marca o início de sua etapa madura, no qual trabalhou pela primeira vez com a atriz Monica Vitti, musa de quase todos os seus longas e com a qual viveu um longo romance.
Outra das atrizes de Antonioni foi Lucia Bosé, que esteve em Cronaca di un amore e que depois protagonizou A Dama sem Camélias como a personagem Clara Manni.
Depois chegaram A Noite (1961), que recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim; O Eclipse (1962), Prêmio Especial do júri de Cannes; e O Dilema de uma Vida (1964), Leão de Ouro de Veneza.
Antonioni também recebeu a Palma de Ouro de Cannes por Blow Up - Depois daquele Beijo (Blow Up, 1966), considerada sua obra-prima e a primeira que rodou nos Estados Unidos.
Nas décadas de 70 e 80 dirigiu Zabriskie Point (1970), Profissão: Repórter (1974) e Identificação de uma Mulher (1982), seu primeiro longa-metragem elaborado com técnicas de alta definição.
A partir de 1986, sua aparição no cinema foi ocasional devido a um derrame cerebral que o deixou sem falar e com problemas de mobilidade.
Em 1993 interpretou um oficial de cavalaria mudo no filme do diretor francês Alain Robbe-Grillet A Fortaleza.
Com o alemão Wim Wenders rodou Além das Nuvens (Al di là delle nuvole, 1995), uma co-produção franco-teuto-italiana baseada no livro de Antonioni That Bowling Alley on the Tiber (1983), que ganhou o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) em Veneza.
Ferrara, sua cidade natal, abriga desde 29 de março de 1995 o Museu Antonioni, e a Itália o homenageou em seu 90º aniversário, em 29 de setembro de 2002, por seu "profundo interesse pelas relações humanas, especialmente do casal, e um grande conhecimento da alma feminina".
Michelangelo Antonioni se casou duas vezes, em 1942 com Letizia Balboni e em 1986 com Enrica Fico, com quem compartilhou a paixão pelo cinema.
Fonte: EFE

segunda-feira, 30 de julho de 2007

+ Sobre: "Ingmar Bergman"

Literatus Textualmente Transmissível, por Andrea Augusto.
+ Sobre: "Ingmar Bergman" = LINK JÁ!

Morreu Ingmar Bergman

Ingmar Bergman morreu "calma e pacificamente" anunciou Eva Bergman, sem no entanto precisar as causas exactas da sua morte nem a data.Segundo o jornal sueco Dagens Nyeter, o cineasta morreu hoje de manhã, por volta das 7h00 (6h00 em Lisboa). Corriam há vários meses rumores persistentes sobre a degradação do seu estado de saúde. Homem do cinema e do teatroNascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes, entre os quais se destacam "Um Verão de Amor" (1951), "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Em Busca da Verdade" (1961), "Lágrimas e Suspiros" (1972) "Sonata de Outono" (1978) "Fanny e Alexander" (1982) ou "Saraband" (2003). Além da sua obra cinematográfica, Bergman foi durante toda a vida um homem de teatro, tendo encenado numerosas peças, nomeadamente as do seu ídolo de juventude, August Strindberg. A sua carreira começou no teatro nos anos 40 com um estágio de encenação na Ópera de Estocolmo e em 1960 foi contratado como encenador pelo prestigiado Dramaten, o Teatro real de arte dramática. Foi no entanto o cinema o seu meio de expressão de eleição. "Fazer filmes é para mim um instinto, uma necessidade como comer, beber ou amar", declarou em 1945. Em 1955 alcançou o seu primeiro êxito internacional com a comédia "Sorrisos de uma noite de Verão", mas a partir do final dessa década os seus filmes tornaram-se cada vez mais sombrios, mostrando casais em crise ou seres amargurados pela ausência de Deus. Cineasta das mulheres, como alguns o consideravam, proporcionará os seus mais belos papéis a actrizes como Maj Britt Nilsson, Harriet Andersson, Eva Dahlbeck, Ulla Jacobsson e Liv Ullmann. Teve aventuras amorosas com várias das suas actrizes, casou-se cinco vezes e teve nove filhos. Tratado durante muito tempo com indiferença na Suécia, só muito recentemente foi reconhecido como um grande mestre do cinema no seu país, sendo agora atribuído um Prémio Bergman aos jovens talentos do cinema durante a cerimónia sueca equivalente aos Óscares. Na opinião de Woody Allen, Bergman era "provavelmente o maior artista do cinema desde a invenção da máquina de filmar".
Fonte SAPO

sexta-feira, 27 de julho de 2007

LANÇAMENTO - 27.07.2007

O Lançamento foi sensacional, impulsionado pela banda Cosmorama, pelos poetas locais, performaticos e pelo MC Rogerio Nogueira
Valeu!
Lançamento do Livro "Mesoperiferia"
De: Rogerio Nogueira
Local: Ação Educativa - Rua Gal. Jardim, 660 (prox. Santa Casa)
Data: 27/07/07 - 20:00h. * Foi na sexta-feira.
Com Sarau, performances, manifestações surreais, coquetel e afins...
Em beijo!
Everaldo Ygor
* Segue poema GNU do livro Mesoperiferia...

GNU

Passo estranho daquele Gnu.
Olhava-me comendo
e nunca...
Passo, passo, passo.
Gnu espiral.
Às vezes chovia nele,
E ele comendo.

Gnu fronteiriço de quadras
Passo, passo, passo: a linha não vinha.

Gnu entrevielas, desguarnecido à noite
Em Roland Garros ou em Criciúma
Tanto faz os passos, passos...

Gnu periférico e assíduo no Terminal de Cargas,
Para onde olhava comendo e nunca....

Gnu Fernão Dias...

Rogério Nogueira

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Matamoros


Simplesmente Lindo!


Mais tarde coloco as impressões sobre Matamoros...

Sarau do Trem!


Sarau em Trem!
Simplesmente Paz... No Trem,
Em dias que se repetem em 11 dias de temor.
Sentindo, ouvindo, renascendo...
Na poesia forma - Protesto e Paz
De um confronto interno, conforto interno
Desconforto imóvel
Diante tanta selvageria
Eterno em felicidade e movimento
No som do trem, de nossos corações. No vagão da vida vai.
Sarau em Trem!
Em direção a Serra da Verdade... Na mata encantada.
Na Estação Liberdade da Existência do Ser. Paranapiacaba vamos nós.
Trilhos que levam ao portal da poesia, internos.
O vento na face, voz exaltada!
Um grito liberta a fala, métrica e rima.
Nem métrica nem rima!
Livre da pontuação das leis, apenas verdadeiros suspiros de poetizar...
Um grito apaziguar tanto sofrimento.
Um poema para a serenidade
Um protesto silencioso, cantado baixinho...
Murmurado como de Ser. Movimento sem deixar de Ser.
Algum tempo sem essa guerra insana! Abraçar o outro.
No vagão da Paz Poesia, da cultura marginal, astral. Beijo o outro.
Amigos Poetas, músicos, artistas gerais, gente, vultos e espectros reunidos no poetizar... Outros.
Em volta da fogueira perene, nossa volta, nossa viola.
Para acalentar a mente colonizada
Para mudar o mundo ao som da Poesia Paz. Fotografar.
Para nunca mais parar! O caminho encontrar... Escrever.
Sarau em Trem!
Everaldo Ygor
14.03.2004
Nas horas, infiéis temporais.

“Arte
Revolucionária deve ser uma mágica
capaz de enfeitiçar o Homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda”
Glauber Rocha

quarta-feira, 25 de julho de 2007

BORBOLETA BLUES

BORBOLETA BLUES - Blue Butterfly

Tomado pela tempestade da saudade
Naufrago de meus pensamentos...
Ela veio e atravessou meu caminho
Sei que a mente e o olhar vão eternar esse movimento
Ela rodopia ao vento com o bater de suas asas
Está longe, longe...

A flor tranqüila espera o seu pouso e eu o meu poema...
A quietude toma conta da natureza
Seus desenhos, suas asas, suas cores...
Contam estórias de vôos, de pousos...
que só o mestre observou...
Das aves que voam e de amores que sobrevoou
E eu espero...
no olhar te desejo

Foi observada e observou amantes que amanheceram
E algumas vezes ousaram tocá-la...
Frágeis asas, corpo seu, saudade minha
Um corpo pequeno as asas cobrem, o corpo grande as asas
levam,
corpo que é corpo e belo, cor que é coração e toca.
Em um abraço mágico ela pousa à flor da pele,
adentra seu néctar e paralisa pôr um segundo,
rodopia e voa...

Roubou o néctar e meu coração na ponta da língua...
Todo o corpo sente o sabor e voa...
A asa veio,
a cor se mistura,
eu espero...

Outra flor, outra rosa, outra saudade...
Um cravo, talvez...
Outra borboleta, talvez...
Um casulo, talvez...
E tudo volta...
Talvez...

Everaldo Ygor, década de 90.