.:.EROTOMANIA TEXTUAL.:.MANIA-EROTA.:.
Bukowski,Charles
“...Y ahora sí maldita bruja
Ya te chupastes a mi hijo
Ya te chupastes a mi hijo
Y ahora sí maldita bruja...”
Movimentos corpóreos, perpétuos, brilhos de cada um, beijos molhados/lambuzados, beijos elétricos, abraços e afagos, a flauta nem tão doce, ecoa em pequenas caixas acústicas... - Ela disse:
- Adorei tirar a roupa dançando, vou aprimorar com cinta liga e corpete...
Pequenos adesivos infantis colados pelo quarto, observavam na penumbra...Um aparelho de som, que outrora tocava o som rouco e chiante do vinil. Na cabeceira esquerda da cama antiga, outra, com cara de símio observa sonos tranqüilos e interrompidos... Estão em toda parte. Dentro do congelador agarrados a uma calcinha picolé, imortalizado gosto... O corpo branco faz renascer o escorpião tatuado, faz de apoio janelas portais, faz jorrar internamente o pensamento gozozo de poemas não ditos. Seios a mostra no horizonte, Seres ouvindo urros noturnos, sorrateiros desejos móveis, movimentos FRENÉTICOS... Agarrada e segura com mãos fortes deixo assinaturas e versos em seu corpo. As velas espalhadas pelos móveis dançam sopradas pela ventania noturna... A via vento balançava o cabelo aloirado, pernas grossas e brancas, joelhos batendo, olhos reluzindo, tudo era dança. A calça deslizando lentamente/bravamente – tourada -, deixando à mostra as coxas roliças, os pêlos saltando, mostrava-os timidamente entre dedos, percorrendo e provocando... Olhos fechados, mãos no compasso do quadril, sobe agora para outro ato de incitação, lançar a camiseta branca ao ar, sexuais provocações... O corpo serpentino em malícia plena, em mim mirava o desejo, rebolado. Umedecido, presto atenção... Bailado hipnótico com movimento de Mar. Percorro lábios e vias interiores. Semi-luz-nus, os corpos iluminados, pensamentos internos externam vozes e sussurros poéticos... Incenso com gosto de sândalo, cheiro da Alma, de almas angustiadas, exalando erotismo e olhares perdidos, libertos naquele momento, presos digitalizados em fotos remotas procuram ansiosamente em compartimentos estanques... Procuram Amor - Instantes de insanidade, de leveza e peso do Ser, compreensões infindáveis que fazem falta nos dias remetidos em carta, em nostalgia invencível da inocência.
A fumaça do cigarro densa, confunde o paladar, olfato contaminado de CO2, cravo e canela... Névoa de pensamentos fazem desenhos perpendiculares ao teto, nas paredes, nas faces, movimenta um Arco-Íris mágico cantado pelas belas cores da criação, condensado em asas de arara, voando em cores e versos, história do povo de Chiapas. A leitura dramática da obra infantil, voz de contralto, torna adulto os pensamentos multiformes do quarto fechado, pensamento da melancolia do Blues, torna suave a visão da fumaça, torna florida a visão da noite lá fora... Cria a ilusão de dias melhores... Noite tardia, corpos cansados na cama, mente vazia, vento forte e chuva na janela madrugada, dia chegando... Na manhã, delírios matinais querem as repostas da existência, saltam das prisões mentais. Repostas? Onde estão todas elas?... Em nós mesmos, na dança, no som da criação, no beijo boca corpóreo, no abraço apertado da penetração, na face olhar, sempre. Eterno retoque a pintura viva que somos nós.
Autores: Everaldo Ygor & Marlene Inês Kuhnen - Dias de Novembro.

















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