Ungido pelo Santo óleo da Cachaça
Foto: Les Très Riches Heures du duc de Berry Février.
Nos dias de cada artesão da palavra, uma falange de anjos & demônios zombeteiros passeiam dentro e fora da mente criadora. Na alegria e na tristeza ponho-me a dissertar sobre densos pensamentos, mares de lágrimas e mucosas do mês de Fevereiro. Procurando as nascentes de poesia.
Ungido pelo santo óleo da cachaça vou escrevendo os dias, cada dia sufocado pelo próprio ar, pelo espanto, pela visão lendária. Tomo desse ungüento até o dia clarear, com a esperança insana de bordar palavras em sedas claras no meu santuário sagrado de aniversário.
No auge da embriaguez poética, é possível sonhar em ver vidas e pensamentos através das tuas...
Infinitos horizontes claustrofóbicos, cheios de certezas e dúvidas, é possível ver as cores vibrantes do pensamento, nessa vigília insana eu vou, marcado pelo Arcano 22 do Tarô - O Louco. Errante peregrino vai a passos lentos, pensamento noturno de jardins do céu cada vez mais longínquos. Cambaleante artista artesão da sugestão.
Os matizes são reluzentes, porém não alegres e sim entregues, despojados das folhas em branco, das roupagens frias, emitem ecos de luz no lugar de som.
A vontade é soberana em permanecer dentro do ungüento, impele a vomitar uma seqüência frenética de palavras desconexas. Exorcizando o Arcano 22 em direção ao Mar. Os matizes pegam fogo, versos em chamas com a voz apartada da palavra final. Míope vista que não enxerga o Mar salgado, mas sente a maravilhosa lufada da brisa bendito-maldita. Desperto ao teu redor, redor de versos becos molhados, solares distantes, transpassando os horizontes agora sem ungüentos mágicos, apenas com o Máximo devaneio do doloroso e sepulcral despertar tal qual a insuportável leveza da pena.
Toda essa dissertação desencadeia uma tempestade magnética de pensamentos, ativação mental de ventos da discórdia, relembrando chagas lacrimais. Supremo é o Ser Louco completo em sua plenitude e saber, sem rimar com a vida toda, sem ritmar, sem fronteiras & sem vergonha.
A voz vaga passeia pela via, ascendendo velas, incensos e pagando promessas pelo despertar, pelo paraíso infernal de venturas e suspiros. Que eloqüência errante e sublime essa de dissertar devaneios tão sem sentido, são espelhos oblíquos, iluminados nos dias de Fevereiro.



































