Agora é Dilma!
Saudações Poéticas
Everaldo Ygor
Poesia,Prosa,Crônicas,Fotos,Estradas & Verve. Lugar lúdico de linhas, letras - Traços indeléveis renascendo na espiral virtuosa e infindável de Tantas Andanças. ॐ
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Na falta dos meus sinuosos sentidos
Na fala total dos significados do som
Aguardando a volúpia dos dias
Da Lua longe da face nua – fria
E o Sol iluminando mentes sombrias
Na manhã ingrata - distante
Da desconexão com os outros
Nas raízes escondidas da luz
Nasce a isquemia silenciosa
Obscura...
Vácua
Voracidade veloz
Da vertigem silenciosa
Incurável da frágil cidade
Interna de um sonho acalentado
Por arritmias
Nas letras - insólitas de minha morada.
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Na manhã Outonal
Suave veio o Sol
Na boca o prenúncio da fala – é final de Março...
Por aqui
Nem rios, nem oceanos
E assim
A garrafa com a mensagem
Nunca chega, nunca chegou.
Nem a nau dos loucos
Nem a nau pirata
Resta
Só um gole do velho rum
Envelhecido em barril de carvalho
Padece o homem em névoa
Do hematoma na nuca coração
Contemplando, deitado - inerte
Desenhos, passageiros – além
Do céu azul - profundo & belo
Nas nuvens brancas, cheias - Outonais.
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Doce desEncontro
Tentar escrever poemas
Tentar os outros – outras
Em relevos distantes, nas estradas
Montanhas
Praias desertas
No engano
Onde o rio encontra o mar
Escrevo acordes que não acordam
Sem abraços traços
Na inércia que o esquecimento trás
Sem consolar
Meu verso atravesso – travesso crespuscular
Narra o sonho e o real distantes
Não enche de paz
O coração vazio de sangue – instante - ardil
Que a chuva não trás
Amanhã virá - ao som da alfaia
Com ares de profundo prelúdio
Semeando vazios no mundo
Perdido, perdido sempre...
Despeço de longe
Vertendo horizontes
Nos lentos caminhos
Da vez – sozinho
No aceno da brisa amena
São falas do exílio
Desencanto circular em flor
Do aceno que não fiz
Extintas camadas – profundas
Extinguem ideais – não faço morada
Ilusão do caminho em mim
Desfaz esperanças em opostas jornadas
Para o começo
Do fim...
Everaldo Ygor - Fevereiro - 2010.
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Através de nós a palavra cai
Algo sempre passa
Até a morte vertical
Passa, passa, passa...
Na caixa de sonhos
Entreaberto espaço
Longe dos jardins
Gargantas ladeadas pelo Mar
Sempre, sempre, sempre...
Lembranças - hoje aos farrapos
Ficava antes em olhares celestes - agrestes
Devaneios trapos
Vento noroeste
Vento, vento, vento...
No som do esquecimento
De tantas passadas ondas
Abstrato lamento
Que teima - ainda sonda
Eu lembro, recordo, canto e sussurro:
Sonho, sonho, sonho...
Primavera de 2009
Obra: Mary Magdalen in a Grotto de Jules Josef Lefevre 1876.
Obs. A ladainha deve Ser recitada direcionada para o Sol nascente, sempre as
6h. da manhã durante a primavera usando bruma leve e um gole de aguardente barata.
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1
Hum
Uma
Lufada de palavras
Decompondo vocábulos, transformando em letras, números,
modifica-se em pontos, finalmente desaparecendo...
Engrandece pequenos versos – devota-se ao vazio
Contínua desconstrução do verbo verso seco;
Sapatos
Meias
Cachecol
Um tear que tece fios invisíveis - caminhos
Sensações - pensamentos
Coloridos, tecem palavras...
Preso em madeira, nas mãos - cabem vários mundos
No mistério das cores
Tecelão das letras
Vai sorTear vidas.
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Pináculos
Tiram o fôlego do recital poético – mudo o mundo vai lanceando.
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Crepúsculos
O crepúsculo das palavras, das linhas...
Um atrito inaudível, implacável ao som dos ventos.
Ao escrever, o som propaga no papel, tal qual o som do movimento das nuvens – das curvas, ruído imperceptível.
Da queda de flores & folhas no inverno imortal - austral.
Um arrasto quase eterno, mesmo em dias azuis ou de papéis sem linhas, elas estão lá.
A poesia toda não cabe nos dias, mas adentra o meu coração.
A poesia deve Ser expressão da alma e a toca no mesmo entardecer...
É para os dias - ainda que não caiba neles...
Mas, de algum modo cabe...
Permite reinventar
Linhas...
Caminhos...
Pensamentos...
Sentimentos...
Ela própria...
escutando
Diante folhas vazias - contemplo da janela mais um crepúsculo alvo.
Iluminada embriaguez, balança.
E o vento me faz flutuar.
Everaldo Ygor – Junho 2009.
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...A escrita torna-nos selvagens. Regressamos a uma selvajaria de antes da vida. E reconhecêmo-la sempre, é a das florestas, tão velha como o tempo. A do medo de tudo, distinta e inseparável da própria vida. Ficamos obstinados. Não podemos escrever sem a força do corpo. É preciso sermos mais fortes que nós para abordar a escrita, é preciso ser-se mais forte do que aquilo que se escreve. É uma coisa estranha, sim. Não é apenas a escrita, o escrito, são os gritos dos animais da noite, os de todos, os vossos e os meus, os dos cães. É a vulgaridade maciça, desesperante, da sociedade. A dor é, também, Cristo e Moisés e os faraós e todos os judeus e todas as crianças judias e é, também, o lado mais violento da felicidade. Acredito nisso, sempre... Marguerite Duras, in "Escrever"
A palavra é segredo
Reproduz sons e vibrações inaudíveis
O desaparecimento da expressão do corpo
Faz da solidão um riso barroco
A suposição maléfica, errante – faz da fumaça um excesso vulgar
Na ausência da água insinua-se o sinônimo da sede
Na surda causa do Tempo, a palavra consolida consoantes acalentadas
Perturbada já a serenidade – linhas não são caminhos
Nem revoluções, apenas silenciosas cascas quebradas
Na ausência do rosto insinua-se o antônimo da suavidade
E assim o som se fez segredo
No coração inconstante dos dias – da idade vácua visual
Subverte-se o verbo diminuto, a escrita não representa – ela acontece
Evidente terrível de isolamento incompreensível – indelével
Da árvore cai o fruto que virou pedra, atônito olhar frígido
Vai pontuando com cravos enferrujados, vital sentido do clamor no exílio
Arde o corpo com dor imprecisa – interior - facial
Agora a face vira palavra.
Everaldo Ygor
Maio 2008 & Maio 2009.
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Foto: Everaldo Ygor - LínguasEveraldo Ygor - Quaresma 2009.
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Foto: Vladimir Kush Límpidos torpores
Dos
Dias são assim...
Ilustrados com sonhos travessos
Aflitos Seres
Distantes sonhos
Do Tempo em um instante
São Seres distantes
Do Luar – longe quase sem ar
São lugares de rimas inermes
Onde o Rio encontra o Mar
Sem força para respirar – consolar
No remanso do sonho
Procurando Oásis
Ainda risonho & descolorido
Estéreis instantes
Quando a ilusão alcança
A dança
Do epílogo da jornada marinha.
Everaldo Ygor - Fevereiro de 2009.
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Contorna & volta
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As cartas são mágicas, algumas esquecidas - aquecidas, outras perdidas no Tempo, quando remexo cartas antigas dos meus pais, encontro um recorte da história dos homens, da escrita, do Amor, da saudade, da surreal Arte de Escrever Bem... Amareladas com letras magníficas, papel pautado, cheiro envelhecido, cheias de graça & contornos que ninguém mais faz. Uma aula de caligrafia, um capricho só... Arte pessoal da relação da folha em tom cândido com as idéias em formação, com a emoção. E os selos antigos/novos, cada um com sua data de comemoração, “olho de Boi” e outros tantos, pequeninas artes adesivas que marcam ao olhar, basta um circuito na Praça da República em São Paulo, no Domingo, para ficar imerso no mundo dos Colecionadores de Selos... Os envelopes, grandes, médios e pequenos, timbrados, internacionais, coloridos, uma viagem poética aos sentidos todos. As cartas das crianças e adolescentes, cheias de cores, adesivos, papel colorido, papel especial de carta, com personagens diversos, papel reciclado, mimos que poucos hoje em dia ousam fazer, ousam vivenciar, quando me vejo aqui, em frente ao computador, na gélida tela dos dias vou dando bordoada no teclado, o cálice da escrita jorra em minha face, a saudade de preencher folhas alvas, de errar, corrigir ou recomeçar uma nova carta, amassar o papel, sentir o lápis ou caneta fluindo no espaço. Não importa, ao acabar essa missiva vou escrever mais uma carta, nem se importando com a paralisação dos correios... Os cartões cada um mais formoso que o outro, sempre preferi fazer os meus... Sim, colagens - aquela arte já esquecida método meio hippie, até já fiz papel reciclado e enviei, me lembro agora quando jovem, fui até a casa de uma pretendente minha e coloquei uma carta cheia de versos de Vinícius de Moraes na caixa de correio dela, que saudade desses tempos que teimam em voltar em nosso adágio... Algumas cartas comprometedoras até, outras nem se fala… E outras tantas nunca enviamos, ficam guardadas em gavetas ou caixas empoeiradas... Vale lembrar o grande mestre Fernando Pessoa, na Poesia de Álvaro de Campos:
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De Everaldo Ygor - Poesia Concreta
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Imagens
Observe essas linhas
Viva estas imagens
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Observe bem não é um dogma
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Agora mais uma vez
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Já está dando para perceber
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Que
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São apenas linhas...
Do Livro Estação Liberdade (Da Existência do Ser) - 1992
De Everaldo Ygor
Poesia Concreta
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Inquietas aventuras pela caatinga de Pindorama Uma viagem começa no exato instante em que se pensa em fazê-la...
Ao mundo surreal da poesia, da viagem
existencial de nossos loucos abismos céus de nossos dias...
EM BEIJO!